O senador Wellington Fagundes (PR-MT) prestou depoimento à PF (Polícia Federal) no inquérito que investiga se um decreto assinado pelo presidente Michel Temer beneficiou empresas do setor portuário.
Fagundes é apontado nas investigações como um dos interlocutores de Temer junto ao setor de portos, suspeito de ter ajudado a empresa Rodrimar a obter benefícios junto à gestão do presidente Michel Temer. Ele é citado em diálogos do ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures, flagrado recebendo valores do grupo J&F.
O parlamentar é cotado para assumir o ministério dos Transportes, quando Mauricio Quintella deixar o cargo, previsto para ocorrer em março. Seu nome foi discutido para a pasta em reunião entre Temer, Valdemar Costa Neto e o próprio ministro Quintella, em reunião no Palácio do Jaburu, no dia 8 de fevereiro.
Entretanto, segundo assessores de Wellington Fagundes, ele teria decidido disputar o governo de Mato Grosso nas eleições deste ano, atendendo a um pedido de sua base aliada no Estado e de prefeitos que estão descontentes com a administração Pedro Taques. “Ele tem mantido contato com prefeitos, vereadores e aliados em todo o Estado e por onde passa recebe pedidos para disputar o governo. Vai atender a estes pedidos”, disse um assessor.
Depoimento
A PF intimou o senador, mas ele vinha adiando o seu depoimento. Ele informou aos investigadores que estava em missão oficial em Los Angeles, nos Estados Unidos, de 25 de janeiro a 17 de fevereiro.
No mês passado, a PF chegou a informar o Supremo Tribunal Federal (STF) que não estava conseguindo colher o depoimento do parlamentar. Pela Constituição, senador possui prerrogativa testemunhal, o que lhe dá a possibilidade de marcar dia, hora e local para o depoimento.
O prazo para o fim do inquérito se encerraria no dia 20 de fevereiro, mas foi prorrogado pela PF.
Na segunda, ele foi ouvido em Brasília. A assessoria do senador confirmou o depoimento e disse que ele foi “prestar esclarecimentos na condição de testemunha”, mas ainda não foi revelado o conteúdo dos esclarecimentos.
Missão em Los Angeles
O senador Wellington Fagundes acabou de chegar de uma missão oficial nos Estados Unidos, onde foi conhecer o Porto de Los Angeles, e também na Polinésia Francesa, em Papeete, na condição de presidente da Frente Parlamentar de Logística de Transporte e Armazenagem e integrante da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado.
Em sessão no Senado, Fagundes relatou que em Los Angeles todos os recursos que são arrecadados no porto são reinvestidos nas próprias instalações portuárias, e não usados com outros objetivos. Também ressaltou a permanência das autoridades portuárias por um longo tempo em suas funções, ao contrário do Brasil, onde existe uma grande rotatividade.
Após classificar o decreto dos portos como um grande avanço, o senador reconheceu que os portos brasileiros ainda precisam melhorar muito sua eficiência.
“Na luta por uma logística adequada ao tamanho da capacidade do nosso país, precisamos incorporar a modernidade dos nossos portos, de forma reduzir o tempo de armazenamento de carga, o que permite e consiste em melhoria na movimentação e também nos sistemas aduaneiros. Não podemos mais continuar pecando, por exemplo, pela demora na liberação de cargas nos nossos portos, índice que está acima da média mundial”, afirmou o parlamentar.
