Cotado para ser o número dois da PF (Polícia Federal), Sandro Avelar recebeu dinheiro da campanha de Michel Temer quando foi candidato a deputado federal em 2014. Ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Avelar é o principal nome do novo diretor-geral da PF, Fernando Segóvia, para assumir o lugar de Rogério Galloro na diretoria executiva.
Candidato pelo PMDB, o ex-secretário teve 21.888 votos e não foi eleito. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Avelar recebeu 11,6 mil reais do comitê de Temer, que naquele ano foi candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT). O PMDB, por sua vez, doou 236 mil reais. O total arrecadado pelo candidato foi, segundo o tribunal, 460 mil reais.
A troca na PF foi anunciada na quarta-feira, após quase sete anos de Leandro Daiello no cargo. Segóvia teve o apoio do ex-presidente José Sarney e contou com um apelo de Eliseu Padilha a Temer para realizar a mudança.
Corrupção
Após a solenidade de posse, Segóvia disse que a PF pretende ampliar ações de combate à corrupção e abrir novas frentes de investigação na Operação Lava-Jato.
“A Lava-Jato, na realidade, é uma das operações de combate à corrupção no País. O que a PF pretende é aumentar, ampliar o combate à corrupção. Então não será só uma ampliação, uma melhoria na Lava-Jato, será em todas as operações que a PF já vem empreendendo. Bem como ampliar, criar novas operações”, disse.
Formado em Direito pela Universidade de Brasília, Segóvia está há 22 anos na PF. Foi superintendente regional no Maranhão e adido policial na África do Sul. Em boa parte de sua carreira, exerceu funções de inteligência nas fronteiras do Brasil.
Leandro Daiello estava no cargo desde 2011, nomeado na gestão do então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e já havia manifestado interesse em deixar o cargo.
Autonomia
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, manifestou-se contra a Proposta de Emenda Constitucional 412/09, que pretende dar autonomia funcional e administrativa à Polícia Federal, órgão atualmente subordinado ao Ministério da Justiça.
Na terça-feira, o Conselho Superior do Ministério Público Federal aprovou o envio de uma comunicação à Câmara dos Deputados em desaprovação à proposta. Para Dodge, há “uma situação clara em que um quinto poder ressurgiria desse modelo constitucional se essa PEC vier a ser aprovada, um modelo em que um desses poderes teria a força e certamente a força armada”.
Dodge afirmou que a autonomia da PF teria o potencial de ameaçar o próprio Estado Democrático de Direito como conhecido no Brasil.
“A proposta, como enfatizado aqui [no Conselho], ela tem essa gravidade de alterar o modelo do Estado que temos. Parece simples a fórmula de autonomia funcional e administrativa, mas ela atinge o que há de mais essencial no modelo de separação de Poderes e no modelo de freios e contrapesos”, disse a procuradora-geral da República.
