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Crianças imigrantes acabam em prisão no México antes de chegar aos Estados Unidos

A jornada ao norte não é fácil, e as crianças que a encaram precisam amadurecer rápido. (Foto: Reprodução/NYT)

As crianças saem cambaleando de uma van branca, zonzas e cansadas, esfregando os olhos de sono. Elas estavam caminhando para o norte, viajando sem seus pais, na esperança de cruzar a fronteira para os Estados Unidos. Nunca conseguiram.

Detidas por oficiais de imigração do México, elas foram levadas para um abrigo de menores desacompanhados em Ciudad Juárez. Lá, marcharam uma atrás da outra e fizeram fila, viradas contra uma parede, para passarem por uma triagem. Para elas, essa instalação a cerca de 1,6 km da fronteira é o mais perto que vão chegar dos EUA.

“Mamãe, eu tenho más notícias”, lembrou de ter falado com a mãe, pelo telefone, a menina Elizabeth, de 13 anos e natural de Honduras. “Não chore, mas a imigração mexicana me pegou.”

As crianças são parte de uma onda crescente de imigrantes que buscam um caminho para entrar nos EUA. Se eles conseguirem cruzar a fronteira, podem tentar apresentar seus casos às autoridades americanas, ir à escola e, um dia, encontrar trabalho para ajudar seus parentes em casa.

No entanto, para os que são pegos tentando cruzar a fronteira, a longa estrada rumo ao norte termina no México. Se forem de outras regiões do México, podem ser apanhados por um parente e levados para casa.

Apesar disso, a maioria vem de lugares da América Central, levados ao norte por conta de uma vida que se tornou insustentável pela pobreza, desastres naturais e a pandemia, além do encorajamento gerado pela promessa do governo de Biden ter uma abordagem mais amigável com os imigrantes.

Elas vão esperar em abrigos no México, boa parte por meses, para que alguns processos sejam feitos. Depois disso, elas serão deportadas.

A jornada ao norte não é fácil, e as crianças que a encaram precisam amadurecer rápido.

No abrigo, a maioria delas já é adolescente, mas algumas são mais novas. Há casos de crianças de cinco anos. Viajando sozinhas, sem os pais – em um grupo de crianças ou com parentes ou amigos da família – elas podem se deparar com organizações criminosas que querem levar vantagem com os imigrantes, e também com oficiais de fronteira decididos a pará-las. Mesmo assim elas continuam tentando, aos milhares.

Em 2018, 1.318 crianças ingressaram em abrigos como os de Villa, de acordo com autoridades. Em 2019, o número aumentou para 1.510 crianças, embora tenha caído para 928 no ano passado por conta da pandemia. Mas, nos primeiros dois meses e meio de 2021, o número disparou para 572 – uma taxa que, se for mantida assim até o fim ano, irá superar com folga 2019, o maior índice já registrado.

Quando as crianças entram no abrigo, o seu aprendizado é paralisado. A equipe do local não consegue dar aulas para tantas crianças vindas de diferentes países e com níveis de escolaridade tão distintos. Mesmo assim, as crianças têm, em seus dias, aulas de arte, nas quais desenham ou pintam, na maioria das vezes, imagens de seus países. Elas assistem TV, brincam no pátio e também fazem algumas tarefas para ajudar no abrigo, como lavar a louça.

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