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Crime organizado: varredura dos Estados Unidos em celular de brasileiro revelou lavagem de R$ 10 bilhões do PCC

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal passaram a aprofundar as apurações a partir do material compartilhado pelas autoridades norte-americanas.(Foto: Freepik)

A análise feita por autoridades dos Estados Unidos em um celular apreendido com um brasileiro revelou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação identificou movimentações financeiras que podem ter ultrapassado R$ 10 bilhões, envolvendo empresas de fachada, contas bancárias em diferentes países e operações destinadas a ocultar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas.

As informações vieram à tona após uma operação conjunta entre autoridades brasileiras e norte-americanas. O aparelho foi apreendido durante uma investigação sobre remessas de dinheiro para o exterior e, segundo os investigadores, continha mensagens, planilhas, contatos e registros de transações que permitiram mapear parte da estrutura financeira da facção criminosa.

De acordo com os investigadores, o esquema utilizava operadores financeiros conhecidos como “doleiros”, além de empresas abertas em nome de terceiros para dar aparência legal aos recursos. Os valores circulavam por contas no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países antes de retornarem ao sistema financeiro nacional com aparência de dinheiro lícito.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal passaram a aprofundar as apurações a partir do material compartilhado pelas autoridades norte-americanas. A suspeita é de que a estrutura identificada tenha sido utilizada por integrantes do PCC para movimentar recursos do tráfico de cocaína enviado para a Europa e para os Estados Unidos.

Segundo reportagens, o conteúdo do celular mostrou uma rede sofisticada de lavagem de dinheiro com ramificações internacionais e forte uso de tecnologia para comunicação entre os envolvidos. Os investigadores encontraram referências a operações milionárias e a mecanismos destinados a dificultar o rastreamento das transações.

Uma das linhas de investigação aponta que o grupo utilizava criptomoedas, empresas de importação e exportação e contratos simulados de prestação de serviços para justificar a circulação de recursos. A estrutura teria permitido que grandes quantias fossem movimentadas sem chamar a atenção imediata dos órgãos de controle financeiro.

Em entrevista, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, destacou a importância da cooperação internacional no combate ao crime organizado. “O PCC deixou de ser uma organização de atuação regional e passou a operar como uma estrutura transnacional, com capacidade de movimentar bilhões de reais e utilizar mecanismos sofisticados de lavagem de dinheiro”, afirmou.

O caso reforçou a avaliação de autoridades brasileiras e estrangeiras de que o PCC ampliou significativamente sua presença fora do país nos últimos anos. Relatórios de inteligência apontam que a facção mantém conexões com grupos criminosos da América do Sul, da Europa e da África, utilizando rotas internacionais para o envio de drogas e para a movimentação de recursos financeiros.

Especialistas em segurança pública afirmam que o principal desafio das autoridades é atingir o núcleo financeiro das organizações criminosas. Embora prisões de traficantes tenham impacto imediato, o bloqueio de patrimônio, contas bancárias e empresas ligadas aos grupos é considerado fundamental para reduzir sua capacidade de operação.

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