Ícone do site Jornal O Sul

A crise acelerou a chegada do herdeiro ao poder na JBS/Friboi

Wesley Batista Filho, 26 anos, tem o desafio de manter a JBS viva e nas mãos da família. (Foto: Reprodução)

Quando a PF (Polícia Federal) bateu à porta da mansão de Wesley Batista para prendê-lo na manhã de 13 de setembro, seu primogênito, Wesley Batista Filho, tomou um susto. O tio, Joesley, que tocava os negócios da família em parceria com o pai, fora preso dias antes. A cúpula da JBS estava no cárcere. Subitamente, Wesley Filho deparou-se com uma situação inimaginável para seus 26 anos: ajudar a salvar o grupo da família.

O jovem executivo era a opção óbvia. Apesar da pouca idade, vinha sendo preparado havia sete anos para assumir, em algum momento, a gigante de alimentos. Acumulara cargos de chefia em quatro países. Era, de longe, o mais qualificado entre os jovens da terceira geração dos Batistas.

Conforme o jornal O Estado de S.Paulo, para garantir controle sobre o grupo, Joesley e Wesley precisavam alçar alguém da família ao comando. Necessitavam de uma pessoa de confiança, que cumprisse decisões tomadas por eles e que acompanhasse detidamente todas as tensas reuniões que, em uma crise severa, se sucederiam sem parar.

Até a crise se instalar na JBS, Wesley Filho fazia carreira distante da sede, como responsável pela divisão de bovinos nos EUA. A saída forçada do pai o catapultou ao comando da JBS na América do Sul e ao conselho de administração da empresa, uma das maiores companhias de alimentos do mundo.

Sua personalidade e a relação com o trabalho espelham características do pai. Como Wesley Batista, dedica muito tempo à empresa. Também foge de badalações – ao contrário do tio Joesley. Casou cedo com a namorada da adolescência, com quem teve um filho. Veste-se de forma discreta – calça social e camisa de botões com iniciais grafadas no bolso compõem seu traje no dia a dia do escritório.

Participa intensamente da gestão do grupo. Não está, contudo, tocando a empresa. Há executivos que compartilham a gestão. Gilberto Tomazoni, diretor de operações do grupo, que passou pela gigante Sadia e foi contratado pelos irmãos Batista para expandir os negócios da JBS anos atrás, é mentor do herdeiro no Brasil.

Mas Wesley Filho é a voz – e os olhos – daqueles que estão na cadeia. Divide a missão de manter a família à frente da companhia com seu avô, José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, fundador do grupo que retornou à presidência da JBS em setembro passado, aos 84 anos. E tem a ajuda do primo Aguinaldo Gomes Ramos Filho, o Aguinaldinho, que também passou a compor o conselho da JBS.

No calor dos dias que sucederam a ida dos delatores ao cárcere, aventou-se colocar Wesley Filho logo na cadeira do pai. A rixa com o BNDES, dono de 20% da JBS, fez a família recuar. Seria mais fácil o banco aceitar o patriarca do que um jovem ainda desconhecido do mercado e pouco testado. Apesar do porte da JBS e de sua importância no mercado brasileiro, bancos, credores, pecuaristas e rivais da companhia no Brasil têm pouquíssimas referências do herdeiro.

Procurado, Wesley Filho não quis conceder entrevista ao Estadão.

Trajetória
Nascido em Brasília, Wesley Filho quase não viveu na capital federal. Foi mudando de casa conforme a JBS se expandia. Morou em Anápolis, Luziânia, Goiânia, Barra do Garças, Andradina e São Paulo. Chegou a viver com a família dentro de um frigorífico em Goiás. Parecia natural que entrasse logo no ramo familiar.

Aos 14 anos, porém, avisou que gostaria de estudar fora e escolheu a Suíça como destino. Queria aprender línguas e mudou-se para um internato na pequena Zouz. Lá, aprendeu a falar alemão e inglês e a arranhar o italiano. Também engatou namoro com uma brasileira filha de amigos da família, que foi estudar no mesmo colégio.

Ao concluir o curso, em 2009, foi para os EUA morar com os pais e os irmãos mais novos, no Colorado. Àquela altura, a JBS havia comprado a Swift, começando sua expansão internacional. Ao chegar em solo americano, inscreveu-se na faculdade de economia. Fez o curso de trainee da JBS, onde passava as tardes aprendendo a cortar gado.

A ascensão na empresa começaria pela América do Sul. Com 21 anos, recebeu a incumbência de cuidar dos negócios do grupo no Uruguai, onde a JBS possuía o frigorífico Canelones. Um ano depois, Wesley Filho acumulou o comando do Paraguai.

Depois, rumou para Calgary, no Canadá, cidade que abrigava uma problemática processadora de carne comprada pela JBS. Por lá ficou, até ser recrutado de volta para os Estados Unidos.

Viveu de perto o melhor momento da JBS, em que a empresa se tornava a maior processadora de proteína animal do mundo. Fora do País, ficou blindado dos problemas que começavam a se avizinhar sobre os negócios da família.
Com o conglomerado sob ataque, foi forçado a acelerar os planos. Tem o desafio agora de ajudar a manter a JBS viva – e nas mãos dos Batistas.

Sair da versão mobile