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Crise com aliados chega ao Senado e assusta governo

Calheiros agiu nos bastidores para barrar a ida de embaixador indicado pelo governo à OEA. (Foto André Dusek/AE)

A desarticulação da base governista chegou ao Senado. A derrota sofrida pelo Palácio do Planalto na quarta-feira, quando senadores aprovaram a extensão da política de reajuste do salário mínimo para todos os benefícios previdenciários, deixou o governo desnorteado.

As traições, até agora, estavam mais concentradas na Câmara. Mas o comportamento dos senadores aliados na semana passada mostrou um quadro preocupante de fragilidade política, segundo assessores presidenciais. Na avaliação do governo, o sinal, que estava amarelo, está perto de vermelho. Isto porque, segundo assessores da presidenta Dilma Rousseff, até “senador que tem cargo e ganhou outros recentemente votou contra”. Um articulador do Planalto diz que isto “é o fim”.

O governo perdeu votação da emenda que derrubava a extensão do aumento do mínimo para todos os aposentados, incluída pela Câmara. O placar foi de 34 votos contra e 25 a favor do governo. Nada menos que 14 aliados não apareceram e outros 12 votaram contra o Planalto.

A situação foi resumida da seguinte maneira: em um clima destes, toda medida que o Planalto envia ao Congresso acaba virando uma arma contra a presidenta. Após a votação, o governo identificou mais de um motivo para a derrota, tida como “preocupante”. O primeiro é que muitos senadores não apareceram ou votaram contra em retaliação ao Planalto.

Senadores disseram à equipe de articulação política que estão cansados de o governo prometer “mundos e fundos” e não atender ninguém. Nesta conta estão não só cargos, mas a falta de atendimento de demandas de projetos específicos, como os que beneficiam o Amazonas, levando os senadores do Estado, aliados, a não votar.

Nada menos que sete senadores do PMDB, partido do vice Michel Temer, articulador político do governo, votaram contra o Planalto. Outro motivo apontado para o revés é a falta de um controle maior do Planalto nas votações no Senado. Segundo um senador aliado, falta comando à tropa e avaliação do melhor momento de votar.

Um recado para o líder da bancada governista, Delcídio Amaral (PT-MS), que não estaria buscando ajuda para dividir sua tarefa. Ele atribui a derrota à crise política. Além disso, é lembrado que Temer sempre teve dificuldades nas votações no Senado por enfrentar certa resistência do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL).

As ausências na votação da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil, e do líder do PMDB, Eunício Oliveira (CE), foram muito comentadas. A primeira depois pediu que seu voto fosse contado como pró-governo. Já Eunício, segundo amigos, mandou recado para o Planalto, mas oficialmente diz que estava em audiência fora da Casa e não sabia que o projeto seria votado. (Folhapress)

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