A demanda por petróleo tem se recuperado após a maior queda da história, registrada em 2020, disse a Agência Internacional de Energia (IEA) nesta terça-feira (16), mas uma redução em voos devido a preocupações com o coronavírus significará que o mundo não retornará aos níveis de demanda pré-pandemia antes de 2022.
“Nossa primeira previsão para 2021 como um todo mostra a demanda crescendo em 5,7 milhões de barris por dia (bpd), para 97,4 milhões de bpd, o que seria 2,4 milhões de bpd abaixo do nível de 2019”, disse a IEA em relatório mensal.
“A redução nas entregas de gasolina de aviação e querosene impactarão a demanda total por petróleo até ao menos 2022… a indústria de aviação está enfrentando uma crise existencial”, disse a IEA, com sede em Paris (França).
A agência elevou a projeção para a demanda por petróleo em 2020 em quase 500 mil bpd devido a importações mais fortes que o esperado na Ásia.
“A forte saída da China das medidas de isolamento fez a demanda em abril quase voltar aos níveis de um ano atrás. Nós também vimos uma forte retomada na Índia em maio, embora a demanda ainda esteja bem abaixo dos níveis de há um ano.”
“Se as mais recentes tendências na produção forem mantidas e a demanda se recuperar, o mercado estará em uma situação mais estável no final do segundo semestre”, disse a agência, em referência a cortes de oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados incluindo a Rússia.
“No entanto, não devemos subestimar as enormes incertezas”, acrescentou a IEA.
Preços
Os preços do petróleo avançaram mais de 2%, apoiados por sinais de recuperação na demanda por combustíveis e pelo cumprimento do acordo da Opep+ para cortes de oferta, que compensaram temores de que uma nova onda de coronavírus possa desacelerar ainda mais a economia global.
O petróleo dos Estados Unidos (WTI) fechou em alta de 0,86 dólar, ou 2,4%, a 37,12 dólares por barril. Já o petróleo Brent avançou 0,99 dólar, ou 2,6%, para 39,72 dólares o barril.
As cotações se recuperaram de perdas do início da sessão após o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos se mostrar confiante de que os países da Opep+ que tiveram baixa adesão aos cortes de bombeamento cumprirão seus compromissos. Ele também relatou sinais de retomada na demanda por petróleo.
“Isso parece ter levado embora parte da negatividade do mercado”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. “É o temor sobre o coronavírus versus a realidade, o que está acontecendo.”
Um painel de monitoramento liderado pela Opep vai se reunir na quinta-feira (18) para discutir se os signatários do pacto entregaram as parcelas com que se comprometeram nos cortes de oferta.
Enquanto isso, o Iraque chegou a um acordo com suas maiores petroleiras para ampliar os cortes de bombeamento em junho, disseram à Reuters no domingo autoridades que trabalham nos enormes campos de petróleo do sul do país.
