Cristiana Oliveira, de 62 anos, compartilhou em suas redes sociais um desabafo sobre o envelhecimento e os comentários que costuma receber a respeito de sua aparência. Em um vídeo publicado na última quarta-feira (8), a atriz refletiu sobre o etarismo, defendeu a beleza da maturidade e afirmou que envelhecer é um privilégio que nem todos têm a chance de viver.
“Sabe que às vezes eu leio uns comentários dizendo: ‘Nossa, como ela envelheceu. Deve ser tão triste lembrar de quando era tão bonita’. E eu sempre penso na mesma coisa. Eu acho curioso a gente viver numa sociedade em que envelhecer, justamente o maior privilégio de quem continua vivo, seja tratado quase como um fracasso”, iniciou.
Na sequência, Cristiana explicou que gosta de cuidar da aparência, mas que isso é diferente de tentar impedir a ação do tempo. “Eu tive a sorte de viver o suficiente para ver meus cabelos mudarem, meu rosto mudar, meu olhar amadurecer. Nem todo mundo teve essa oportunidade, infelizmente. É claro que eu gosto de me cuidar, gosto de me sentir bonita. Eu faço o possível para envelhecer com saúde, autoestima e alegria. Só que existe uma diferença enorme entre cuidar da aparência e tentar impedir o tempo de passar, e essa batalha ninguém vence”, afirmou.
A atriz também comentou que muitas pessoas ainda a enxergam como a jovem que interpretava personagens de sucesso na televisão e acabam estranhando sua aparência atual. “Talvez algumas pessoas estranhem quando me veem hoje porque elas não acompanharam meu envelhecimento atrás da tela. Elas guardaram na memória delas a jovem das novelas, as personagens que ficaram registradas na televisão como se aquela imagem pudesse permanecer intacta para sempre. A televisão congelou a personagem, e a vida nunca congelou a mulher”, refletiu.
Cristiana ainda questionou por que atrizes parecem precisar justificar o próprio envelhecimento, enquanto isso é encarado de forma natural em outras profissões. “Por que nós, atrizes, parecemos ter que pedir licença para envelhecer? Por que tantas pessoas aceitam naturalmente que uma médica, uma professora, uma advogada, qualquer outra mulher amadureça, mas se surpreendem quando uma atriz faz exatamente a mesma coisa? Será que, no fundo, ainda confundimos mulheres com personagens?”, disse.
