Um juiz federal convocou na sexta-feira (25) a ex-presidente argentina e candidata a senadora Cristina Kirchner a comparecer por supostas propinas e lavagem de dinheiro, em meio à campanha para as eleições legislativas de 22 de outubro.
Cristina Kirchner, de 64 anos, deverá ser interrogada em 9 de novembro pelo juiz Julián Ercolini. Cinco dias depois os seus filhos, Máximo e Florencia, terão que prestar depoimento.
A convocação foi conhecida em um momento em que Kirchner está em campanha à frente da UC (Unidade Cidadã), uma nova aliança de peronistas e centro-esquerdistas.
A UC enfrenta o governo – coalizão de social-democratas e direita – do presidente Mauricio Macri na província-chave, a de Buenos Aires, com quase 40% do colégio eleitoral.
Os Kirchner são acusados de receber propinas do empresário Lázaro Báez em troca de beneficiá-lo ao outorgar obras públicas na província de Santa Cruz, Patagônia. Em prisão preventiva por este caso estão Víctor Manzanares, contador da família Kirchner, e Báez.
O caso foi iniciado por uma rival de Kirchner nas eleições, a deputada Margarita Stolbizer, candidata a senadora pelo grupo 1País, que fez alianças temporárias com o governo no Congresso.
O suposto procedimento consistia em cobrar ao empresário aluguéis de quartos no hotel da família “Los Sauces”, nome pelo qual é conhecida a ação. A justiça suspeita que esses espaços do hotel nunca tenham sido ocupados por inquilinos.
Kirchner e seus partidários afirmam que o caso “Los Sauces”, entre outros que a envolvem, são falsas acusações orquestradas com juízes próximos ao governo para perseguir e calar a oposição.
A ex-presidente também denunciou que o governo manipulou as cifras da votação provisória das primárias de 13 de agosto. A recontagem dos votos foi parada quando faltavam 5% das sessões – o macrismo alcançava uma pequena vantagem sobre o kirchnerismo (34,19% a 34,11%).
Peronismo
Em meio à fragmentação do peronismo, Cristina anunciou o lançamento da nova frente política, a UC. Eleita, Cristina pode se beneficiar da imunidade parlamentar (interessante frente à série de denúncias que enfrenta) e, quem sabe, alçar voos políticos mais ambiciosos.
No entanto, o lançamento da frente aprofunda as divisões entre peronistas, o que pode acabar beneficiando o presidente Mauricio Macri.
Kirchner quer enfrentar o macrismo (direita e aliados centristas) na estratégica província de Buenos Aires, que detém quase 40% do colégio eleitoral.
A aprovação de Macri, 58 anos, caiu 20 pontos desde que assumiu, com 65%, há 18 meses, mas ainda conta com um eleitorado fiel que rejeita Kirchner, cuja força está nos distritos operários e de classe média baixa na periferia da capital argentina. Ainda assim ele é um dos presidentes com maior aprovação na América Latina. Mantém um apoio de quase 50%, apesar da crise econômica que vive o país, e tem como oposição um peronismo cada vez mais dividido.
Mauricio Macri é o político mais popular da situação e Kirchner, a da oposição peronista e centro-esquerdista. Trinta e quatro milhões de argentinos deverão renovar em 22 de outubro a metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado.
