Um grupo de 950 médicos cubanos chegará ao Brasil nos próximos dias, depois da decisão de Havana de retomar a cooperação, interrompida pelo elevado número de profissionais que desistiam de retornar à ilha, informou nesta sexta-feira (26) o Ministério da Saúde.
Paralelamente, está previsto que 4 mil médicos cubanos que já completaram três anos no Brasil voltem a Cuba nos próximos dois meses, indicou o Ministério, sem detalhar se o contingente será substituído em sua totalidade por profissionais da ilha.
A colaboração entre Cuba e Brasil foi suspensa em abril, quando Havana se recusou a enviar outros 710 médicos, argumentando sua preocupação com o fato de a Justiça brasileira validar as solicitações de permanência de profissionais do país comunista.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, quase 100 médicos cubanos formalizaram o seu desejo de permanecer no Brasil desde 2016.
Cuba solicitou uma reunião com a OPS (Organização Pan-americana de Saúde), que colabora com o programa Mais Médicos, indicou o organismo. Delegações de ambos os países e representantes da instituição concordaram em retomar a colaboração em um encontro em Brasília em meados de maio.
Em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que “se Cuba quiser manter o acordo, é ótimo. Mas, se não quiser, também temos solução. Espero que tenha a normalidade”.
Na mesma entrevista, Barros desconsiderou o pedido de Cuba de controlar o tema migratório, mas afirmou que os municípios que incentivarem os profissionais a desertar serão eliminados do programa Mais Médicos, no qual também trabalham brasileiros.
O programa teve início no país em 2013. Atualmente, 18.240 profissionais estão inscritos, dos quais 11.400 são cubanos que trabalham na área de atenção básica, segundo dados da OPS.
