Cuba espera contar “o mais tardar” em agosto com as milhões de doses da vacina anticovid que precisa para imunizar “toda” a sua população, e depois continuará fabricando-as para ajudar os “países amigos”, anunciou nesta quarta-feira (17) o cientista responsável.
“O mais tardar no mês de agosto teremos fabricado as doses necessárias para imunizar toda a nossa população (11,2 milhões de habitantes), e depois continuaremos produzindo-as, para fornecê-las aos outros países amigos”, disse o presidente do grupo estatal BioCubaFarma, Eduardo Martínez, citado pelo jornal oficial Granma.
Martínez destacou que a ilha também colabora “com um grupo de nações (…) para valorizar a possibilidade de realizar estudos clínicos de” suas vacinas candidatas contra a covid-19, “estabelecer alianças produtivas e buscar vacinas universais contra os coronavírus”.
Na semana passada, Cuba enviou para o Irã 100 mil doses da Soberana 2, seu projeto de vacina anticovid mais avançado, para testar a eficácia do antígeno, e o país também estabeleceu contatos com México e com o Vietnã sobre o assunto.
Autoridades científicas da ilha afirmam que Cuba tem capacidade para fabricar em 2021 cerca de 100 milhões de doses da Soberana 2 e que a campanha de vacinação começará no primeiro semestre.
Fake news
O Consulado Geral de Cuba em São Paulo, negou a informação de que esse grupo estaria articulando fretar um avião para receber a vacina contra a covid em Cuba.
“Cuba não faria tal coisa com a finalidade de cobrar volumosas somas em troca de um serviço humanitário”, diz trecho de nota divulgada pelo Consulado.
Além disso, o documento afirma que o país não possui a vacina Sputnik V, tão pouco para ser comercializada.
“As notícias falsas têm o propósito de causar dano, o que é doloroso em uma conjuntura tão difícil como a que vive a humanidade”, afirma.
“Esta notícia é falsa. Nenhuma das cinco vacinas candidatas cubanas foi ainda aprovada, das quais 3 estão na fase 3 de testes clínicos. A vacinação da população não começou em Cuba, muito menos dos estrangeiros. As doses estão sendo aplicadas apenas como parte de ensaios clínicos. Talvez seja apenas um desejo desses empresários para o futuro”, diz o embaixador Rolando Gómez González.
Segundo a notícia falsa, embarcariam rumo a ilha dos Castros, 120 pessoas, devidamente testadas (exames de PCR), e maiores de 18 anos, aptas a tomar a vacina russa, Sputnik V.
Cada passageiro desembolsaria R$ 30 mil. Do valor total arrecadado, R$ 2 milhões custeariam o fretamento da companhia aérea e outro R$ 1 milhão seria doado ao governo cubano, responsável pela disponibilidade e aplicação das vacinas.
