Quem sente algum mal-estar ou procura fazer a programação de um check-up anual costuma ter em mente alguns pontos de atenção, como as doenças do coração e o câncer de mama. Mas é pouco provável que os rins entrem no foco quando o assunto é saúde. “O rim está lá, escondido, e as pessoas não costumam cuidar bem dele”, alerta Mario Ernesto Rodrigues, nefrologista e membro da Sociedade Brasileira de Nefrologia e da Sociedade Internacional de Diálise Peritoneal.
Consumo de alimentos com grande concentração de sal, excesso de proteína na dieta, uma rotina de hábitos não saudáveis, baixa ingestão de líquidos, obesidade, hipertensão e diabetes são alguns dos fatores, segundo Mario Ernesto, que podem comprometer o bom funcionamento dos rins.
O Dia Mundial do Rim, neste ano em 11 de março (sempre na segunda quinta-feira do mês de março), entrou para o calendário como uma data para reforçar os alertas sobre a necessidade de cuidados com os rins e as formas de tratamento disponíveis para os doentes renais que dependem de algum tipo de diálise para compensar o seu mau funcionamento. Neste ano, o tema da campanha será “Vivendo bem com a doença renal”.
Por que cuidar dos rins
A evolução do mau funcionamento dos rins costuma ser silenciosa. Por isso, além de evitar as condições citadas pelo nefrologista, é preciso acompanhar a saúde do órgão por meio de alguns exames simples e baratos, como de sangue e de urina.
Mas por que os rins devem ser motivo de atenção? Eles têm uma série de funções, como:
– Limpeza de todas as impurezas, como as toxinas produzidas pelo corpo;
– Regulação da quantidade de água de que o nosso corpo precisa;
– Equilíbrio das substâncias minerais do corpo (sódio, potássio e fósforo);
– Produção e fornecimento de hormônios tais como a eritropoetina, que é essencial para a produção dos glóbulos vermelhos;
– Regulação da pressão arterial;
– Transformação da vitamina D em calcitriol, para ajudar na manutenção da estrutura dos ossos.
Rins que não trabalham bem podem estar associados a outras doenças. Um dos papéis dos rins é controlar a pressão arterial. Se o órgão funciona de forma inadequada, altera a pressão arterial, da mesma forma que a hipertensão pode sobrecarregar os rins. Já o diabetes pode causar danos aos vasos sanguíneos do órgão.
Os números mostram que há uma parte expressiva da população com problemas nos rins. No mundo, a estimativa é de que 850 milhões de pessoas tenham doença renal – seria como somar as populações de Estados Unidos, Indonésia e Brasil. Por ano, a doença renal crônica (DRC) causa em torno de 2,4 milhões de mortes por ano. No Brasil, as projeções apontam que há cerca de 10 milhões de renais crônicos.
Quando há perda progressiva da função do rim, o paciente passa a ter uma DRC, o que pode acontecer em anos, mas também em meses. Muitas vezes, pela falta de sintomas, só se busca o tratamento em estágios muito avançados. Nesses casos, as alternativas são as terapias de substituição renal, como a diálise e o transplante do rim. “O transplante, que pode ser com o órgão de um doador vivo ou falecido, é a meta do renal crônico, porque o livra da necessidade da diálise”, explica Mario Ernesto.
Depois do aconselhamento médico e de exames, o nefrologista apresenta as opções de métodos para uma decisão que deve ser compartilhada.
No Brasil, um dos tratamentos para os doentes renais crônicos é a hemodiálise. Em um procedimento de hemodiálise o paciente vai a uma clínica ou hospital (em média, três dias por semana) e é conectado a uma máquina que filtra o sangue, liberando o corpo de resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos e as toxinas produzidas pelo nosso corpo. O procedimento, que pode levar de três a cinco horas, ajuda a manter o equilíbrio de substâncias como sódio, potássio, ureia e creatinina.
Outra forma de tratamento é a diálise peritoneal. Ela é realizada todos os dias em casa, normalmente à noite, utilizando uma pequena máquina cicladora, que infunde e drena o líquido, fazendo suas trocas. Antes de dormir, o paciente conecta-se à máquina, que faz as trocas automaticamente de acordo com a prescrição médica. A drenagem é realizada conectando a linha de saída a um ralo sanitário e/ou recipiente rígido para grandes volumes. Durante o dia, se necessário, podem ser programadas “trocas manuais”.
Os tratamentos são custeados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) tanto na hemodiálise quanto na diálise peritoneal. Neste caso, assim que o médico e o paciente escolhem a terapia, em uma decisão compartilhada, o pedido é encaminhado à unidade de saúde especializada para o envio da máquina para a casa do paciente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
