Jorge Bastos Moreno
A bancada do PT na Câmara parte para o congresso de Salvador, na próxima semana, carregando uma divisão interna muito maior do que aquela que provocou a saída de vários parlamentares para criar o PSOL. De um total de 64 deputados, uma média de 30 a 35 mantém fidelidade aos princípios partidários, enquanto outros navegam ao sabor dos ventos, ora soprados pelo Palácio do Planalto, ora — pasmem! — pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O “pasmem!” aí é meio exagerado, porque até as águas do espelho d’água do Congresso sempre souberam que, dos tentáculos de Cunha sobre os partidos, o PT nunca escapou.
Fora os “cunhistas” camuflados dentro da legenda, há ainda os que ficam feito baratas tontas com as constantes instruções do ministro Mercadante de que o PT deve evitar confrontos diretos com o presidente da Câmara. Essa divisão é reforçada também pela dificuldade da bancada de aceitar as medidas econômicas de Joaquim Levy.
Está tudo dominado
Para se ter uma ideia da extensão do poder de Eduardo Cunha sobre parte da bancada do PT, basta lembrar que, dos 64 deputados da legenda, apenas 35 aceitaram subscrever o documento encaminhado ao STF tentando anular a aprovação do financiamento privado de campanhas a partidos. E mais: 21 deputados petistas votaram a favor do shopping de Cunha.
Ditador
Ao praticamente avocar para o plenário a votação da redução da maioridade penal — e impedir que a comissão especial siga suas audiências e diligências —, Cunha repetiu o que fez na comissão da reforma política, quando destituiu o relator.
— Decidir por Twitter e não consultar os líderes é não ter aprendido a lição. Ele vai levar tudo no canetão — prevê Weverton Rocha (PDT-MA).
Façam as apostas
Antes dado como decidido, o veto de Dilma Rousseff à mudança no fator previdenciário é agora considerado “provável” ou “incerto”, a depender do assessor presidencial com quem se converse. O desfecho dessa novela será um indicador do grau de convicção de Dilma sobre a necessidade de arrumar as contas públicas e também da maleabilidade de Joaquim Levy. Em mais de uma ocasião, o ministro da Fazenda deixou claro que não vê como justificar tamanho chute no balde.
Vale do Silício
Joaquim Levy quer que Dilma aproveite sua viagem aos EUA para visitar também a Califórnia. Ele acha que a presidente tem que se reunir com os executivos de empresas de tecnologia como Google para trazer mais investimentos e negócios ao Brasil.
Dia do caçador
Há petistas comemorando o escândalo envolvendo Pimentel. É que, assim como Cardozão, ele é “petista da Dilma”, não de Lula, que estaria se divertindo com sua desgraça.
De mal
Não convide para a mesma mesa Levy e o presidente da CNI, Robson Andrade. O empresário ganhou a antipatia do ministro ao criticar o ajuste fiscal: “O que ele quer agora? O nosso pescoço?”.
Durou pouco
Democratas e petebistas eram só sorrisos discutindo a fusão dos dois partidos. Mas, quando perceberam que perderiam o controle de suas legendas e repasses do Fundo Partidário, recuaram rapidinho e praticamente desistiram da junção. Outras fusões estão se inviabilizando pelos mesmos motivos do DEM e do PTB.
Dança das cadeiras
Definida a troca de postos na representação do Brasil no FMI e no recém-criado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) dos Brics: Otaviano Canuto deixará o Banco Mundial para ocupar o lugar no FMI que era de Paulo Nogueira Batista Júnior, que irá para o NBD. A criação da instituição foi aprovada pelo Senado na quarta, mas depende do aval do Congresso de cada país.
Siameses
Há quem aposte que agora, na Lava-Jato, ao contrário do que aconteceu no mensalão, José Dirceu e Antonio Palocci terão destino semelhante, dada a coincidência do assunto “consultorias” nas menções a ambos na investigação. Assim, se Dirceu for responsabilizado, dificilmente Palocci passará ileso pela operação.
