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Cúpulas que reúnem Estados Unidos e Rússia têm se tornado embaraçosas para anfitriões

Objetivo é permitir a exportação de milhões de toneladas de grãos armazenados. (Foto: Reprodução)

Ser anfitrião de cúpulas diplomáticas com grandes potências na sala é, em tempos normais, um sinal de prestígio. No momento, no entanto, é tarefa delicada – até embaraçosa. Em recente reunião na Tailândia dos 21 membros do grupo Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, nas iniciais em inglês), autoridades de comércio exterior dos EUA e de quatro outros países se retiraram quando o representante da Rússia começou a falar. O encontro, de dois dias, não produziu um comunicado conjunto, como de costume, porque os participantes não conseguiram entrar em acordo em torno de como abordariam a invasão da Ucrânia pela Rússia no texto.

Isso deixou ao vice-premiê tailandês, Jurin Laksanawisit, que presidiu a reunião, a missão de substituir o comunicado por observações que abarcaram as principais conclusões do encontro e evitaram qualquer menção à guerra.

Outras cúpulas muito valorizadas tendem a ser igualmente, se não mais, acidentadas. Entre elas estão uma reunião dos dirigentes dos países do G-20 na Indonésia marcada para novembro, onde o presidente Biden e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estarão ambos na lista de convidados. A Indonésia e o Cambodja deverão sediar uma série de encontros da Cúpula do Leste da Ásia, um grupo de 18 membros que inclui os EUA e a Rússia. A Tailândia realizará ainda mais eventos da Apec ao longo do ano.

Os países anfitriões acabam se encontrando na difícil situação de contornar tensões ao mesmo tempo em que fazem avançar os pontos mais urgentes de suas agendas. As situações desagradáveis que enfrentam levantam perguntas sobre até que ponto fóruns como o do G-20 e o da Apec podem ser produtivos neste momento de fratura econômica e diplomática.

O presidente dos EUA, Joe Biden, defendeu expulsão da Rússia do G-20 e conclamou a Indonésia de cancelar o convite a Putin para a cúpula de novembro em Bali, onde dirigentes de 19 países-membros, mais a União Europeia (UE), deverão discutir questões de economia global. “Deixei claro para os meus colegas da Indonésia que não vamos participar de uma série de reuniões caso os russos estejam presentes”, disse a secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, a parlamentares americanos no começo de abril.

Posteriormente, naquele mês, ela e outras autoridades da área financeira se retiraram de um encontro do G-20 quando seu congênere russo empunhou o microfone. Yellen disse que a decisão “pretendia deixar claro que o comportamento da Rússia viola tanto, é tão ofensivo, às normas internacionais, que não estamos dispostos a permitir que a Rússia participe ou a ouvir o que os russos têm a dizer”.

Dian Triansyah Djani, o co-representante do governo indonésio, anfitrião do encontro, disse que é obrigação da presidência do G-20 convidar todos os membros, segundo comentários publicados pelo Ministério da Informação do país. Jacarta não desconvidou Putin e, em vez disso, convidou também o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, embora a Ucrânia não seja membro do G-20. Zelensky não disse publicamente se estará ou não no evento.

Manobras diplomáticas na reunião da Apec na capital da Tailândia, Bangcoc, ao longo do fim de semana, deram uma visão sobre a saia-justa dos anfitriões. Após terem saído da sala enquanto o representante russo falava, uma semana atrás, autoridades dos EUA, Japão, Austrália, Nova Zelândia e Canadá voltaram para participar das discussões, depois que ele concluiu suas observações.

Ficaram, igualmente, fora da sala quando seu congênere russo teve mais uma oportunidade de falar, no segundo dia do encontro, de acordo com relato de uma destacada autoridade americana de comércio exterior. Não foi divulgado nenhum comunicado conjunto, mas esses países, juntamente com a Coreia do Sul e o Chile, emitiram seu próprio comunicado em que ambos manifestaram o compromisso de ajudar a Tailândia a ter um ano bem-sucedido como anfitriã da Apec e condenaram a guerra promovida pela Rússia.

O ministro de Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Reshetnikov, o representante que falava na reunião da Apec, disse que, apesar disso, foram feitos avanços econômicos, com a obtenção de consenso em todos os pontos, com exceção de um. “O único motivo para não chegarmos a um consenso é a tentativa de algumas economias de politizar o fórum”, disse ele em observações publicadas pela agência noticiosa estatal russa Tass.

Os membros do grupo têm opiniões diferentes sobre questões como as sanções impostas à Rússia pelo Ocidente e as consequências negativas do conflito nas esferas da segurança alimentar e energética, disse Rebecca Sta Maria, diretora-executiva do secretariado da Apec. “Mas a Apec foi criada para fazer o que precisa ser feito, apesar dos atritos”, disse ela. As informações são do jornal Valor Econômico e da agência Dow Jones Newswires.

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