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Daniel Vorcaro cogitou comprar “maleta espiã” que intercepta ligações e liga microfone de celular sem necessidade de autorização judicial

A conversa ocorre pouco após evento jurídico financiado pelo Master em Londres. (Foto: Reprodução de vídeo)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou em conversa com Walfrido Warde, um de seus advogados, que pretendia comprar uma maleta espiã que intercepta ligações e liga microfone de celular sem necessidade de autorização judicial.

No diálogo entre os dois em abril de 2024, extraído do celular de Vorcaro pela Polícia Federal, Warde encaminha uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo sobre a aquisição do equipamento pelo Exército brasileiro.

A conversa ocorre pouco após ambos participarem de um evento jurídico financiado pelo Master em Londres em que estiveram diversos ministros de tribunais superiores. Quase duas horas depois de agradecer pelo convite, Warde envia o texto sobre a maleta espiã, e Vorcaro responde. “Fala irmao. obrigado por ter vindo. Essa é minha tb?”, diz.

Warde, então, retruca: “Essa máquina? Vamos comprar uma?”. Vorcaro conclui: “Vamos”. Warde reage com um coração à resposta.

Vorcaro pediu nesta sexta ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que determine a abertura de uma investigação sobre o vazamento de áudios, mensagens e outros conteúdos extraídos de seu celular, apreendido na Operação Compliance Zero.

Na petição, os advogados afirmam que informações sob acesso restrito das autoridades passaram a circular na imprensa e que a vida pessoal e profissional de Vorcaro vem sendo exposta de forma crescente. Segundo eles, foram divulgados conteúdos privados e supostas conversas do ex-banqueiro com seus próprios advogados.

O pedido surge após uma série de reportagens baseadas em áudios e mensagens atribuídos a Vorcaro. Entre os materiais publicados estão uma gravação em que ele supostamente relata a negociação para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mensagens sobre uma suposta rede de prostituição com mulheres estrangeiras, inclusive refugiadas.

A Polícia Federal abriu inquérito para apurar a participação dessas mulheres na rede e possíveis irregularidades na contratação dos serviços. A investigação analisa mensagens atribuídas a Vorcaro e a outros envolvidos que tratam, entre outros pontos, da seleção das mulheres, de pagamentos e da logística de eventos no Brasil e no exterior.

Vorcaro nega ter explorado ou desrespeitado mulheres e diz não reconhecer a autoria, a autenticidade e o contexto de parte do material divulgado. O argumento se repete na manifestação ao STF: a defesa afirma não confirmar o teor de tudo o que veio a público e sustenta que os conteúdos podem ter sido manipulados.

Para os advogados, a apreensão de um celular em uma investigação não torna os dados do aparelho de livre circulação. Eles defendem ainda que o material obtido por meio dos supostos vazamentos não sirva de base para novas investigações contra Vorcaro. Se houve divulgação ilícita, argumentam, a consequência jurídica deve ser apurar quem teve acesso aos dados e os repassou, e não usá-los para responsabilizar o ex-banqueiro.

Ao STF, a defesa pede uma investigação criminal que identifique tanto agentes públicos com acesso funcional ao celular quanto terceiros que possam ter recebido as informações. O pedido cita a divulgação recorrente de dados privados e, em especial, de conversas entre Vorcaro e integrantes de sua defesa. (Com informações da CNN Brasil)

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