Em depoimento à Polícia Federal prestado nessa quarta-feira (30) o banqueiro Daniel Vorcaro negou ter ordenado agressões contra adversários e também afirmou que não tentou fugir do Brasil para escapar da prisão em novembro do ano passado. Seu pai, Henrique Vorcaro, também prestou depoimento e negou ter feito pagamentos por serviços ilícitos.
O banqueiro foi ouvido pela PF direto da unidade prisional da Papudinha, em um inquérito que apura suspeitas de atos ilícitos cometidos por meio de um grupo comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, como ameaças e agressões a desafetos, acesso indevido a investigações sigilosas e obstrução de Justiça. Após ter duas propostas de delação premiada rejeitadas pelos investigadores, Vorcaro tem se limitado em seus depoimentos a negar o cometimento de crimes.
Em nota, a defesa afirmou que a investigação distorceu “mensagens privadas” proferidas em “momentos de indignação” mas que nunca resultaram em atos concretos de agressões. Em um depoimento anterior concedido ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Vorcaro já havia negado essas acusações e tinha dito que proferiu as ameaças porque “estava nervoso”.
Em troca de mensagens interceptadas pela PF, Vorcaro pediu a Sicário que o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, fosse agredido num assalto simulado. “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse o banqueiro. Em outra mensagem, ele também fala em agressão a uma empregada da atriz Monique Alfradique que supostamente o estaria ameaçando. “Empregada (da) Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”, disse o banqueiro.
Funcionários de um barco de Vorcaro também relataram terem sofrido ameaças. O ex-comandante e o ex-chef de um barco de Vorcaro prestaram depoimento à PF. Os dois ex-funcionários contaram que foram procurados por homens que se apresentaram como intermediários de Vorcaro. “O pessoal da marina me avisou que tinham ido lá um pessoal estranho”, contou o comandante de embarcação.
De acordo com a defesa do banqueiro, ele também negou que a tentativa de embarcar em uma aeronave privada às vésperas de ser preso tenha sido uma tentativa de fuga após ter recebido informações sigilosas das investigações.
“Ficou demonstrada também a inexistência de qualquer plano de fuga, uma vez que há provas cabais de que Daniel Vorcaro havia feito prévia comunicação da viagem a diversas autoridades, bem como reservas antecipadas de hotel e salas de reunião e registro de plano de voo. Vale rememorar que a ordem de prisão só foi expedida bem após tais providências, às 15h29 do dia 17 de novembro de 2025. Foi esclarecido que a ciência sobre procedimentos investigatórios era legítima e decorria do acompanhamento prestado por seus advogados e assessores, além de notícias veiculadas pela imprensa, no interesse de esclarecer quaisquer fatos de forma proativa. Causa enorme perplexidade que mensagens protegidas por sigilo legal, entre Daniel Vorcaro e seus advogados, sejam ilegalmente devassadas, vazadas e utilizadas para narrativas fantasiosas”, afirmou a defesa.
Depoimento de pai de banqueiro
O depoimento de Henrique Vorcaro foi prestado também de dentro do presídio. Ele confirmou à PF que mantinha relação com o Sicário e outras duas pessoas ligadas a ele, mas disse que tinha com eles negócios lícitos do ramo imobiliário.
“Documentos e testemunhos provam que Henrique manteve relações comerciais com três dessas pessoas. Tudo devidamente registrado e documentado”, afirmou em nota o advogado Eugênio Pacelli de Oliveira. Ele disse que essa relação entre eles era desde 2021, sem ter conhecimento das acusações de ilícitos relacionadas a Daniel Vorcaro e o Sicário.
As defesas de Daniel e de Henrique Vorcaro também afirmaram, em nota, que suas prisões não são necessárias e pediram a liberdade deles. (Com informações do portal Estadão)
