Segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF), o banqueiro Daniel Vorcaro pediu que o empresário Thiago Miranda monitorasse o CEO do Banco Itaú, Milton Maluhy. Na troca de mensagens, Vorcaro diz que Milton está lhe “causando muito problema”.
Milton Maluhy exerce, desde 2021, o cargo de CEO da instituição financeira Itaú Unibanco.
Thiago Miranda foi alvo da 10ª fase da Operação Compliance Zero para apurar indícios de ações coordenadas em redes sociais voltadas a comprometer a credibilidade e a atuação do Banco Central (BC). Segundo a PF, foram cumpridos nessa quinta-feira (9) dois mandados de busca e apreensão em Brasília
Conforme a decisão do ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), Thiago Miranda é apontado pela PF como o principal articulador de um esquema para recrutar influenciadores digitais e jornalistas — utilizando valores de até R$ 2 milhões e contratos com cláusulas de confidencialidade.
Na troca de mensagens, Daniel Vorcaro envia as seguintes mensagens a Thiago Miranda:
* “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy”
* “Está me causando muito problema”
* “Me ajuda nisso?”
No minuto seguinte, Miranda responde: “Deixa comigo”.
Em conversa posterior, Thiago informa a Vorcaro de que estaria com tudo pronto sobre “Milton”, mas gostaria de veicular as informações “por outro veículo”.
“Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo”, diz Miranda na mensagem.
Entre as informações solicitadas por Vorcaro estavam dados de identificação civil, número de CPF e informações de caráter pessoal.
As mensagens são citadas pelo ministro Mendonça na decisão que autorizou a operação desta quinta. A decisão do ministro não especifica quando ocorreu a troca de mensagens.
No documento, o magistrado menciona que foi encontrado um documento com informações pessoais e patrimoniais de Milton e de sua esposa e foi identificado o uso da identidade visual de uma das empresas vinculadas a Thiago Miranda.
“Circunstância que sugere que o documento tenha sido produzido, editado ou, ao menos, circulado no âmbito da referida estrutura empresarial”.
Segundo os investigadores, o arquivo contém o aviso de que se tratam de “informações confidenciais”.
Operação
Nessa quinta, a PF realizou a 10ª fase da Operação Compliance Zero para apurar indícios de ações coordenadas em redes sociais voltadas a comprometer a credibilidade e a atuação do BC.
Os investigadores também apuram a possível atuação de grupo dedicado à intimidação de jornalistas, ao monitoramento de pessoas ligadas a autoridades e à obtenção indevida de informações sigilosas.
Segundo a PF, estão sendo cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Brasília, determinados pelo Supremo. O publicitário Thiago Miranda, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, é o alvo desta 10ª fase da Compliance Zero.
Conforme as investigações, a atuação de Thiago Miranda é considerada central na articulação de frentes voltadas à manipulação de informações, cooptação de profissionais e intimidação de desafetos da organização criminosa associada a Daniel Vorcaro.
Thiago Miranda é apontado pela PF como o principal articulador do “Projeto DV”, iniciais de Daniel Vorcaro, para proteger o dono do Banco Master. Thiago atuava diretamente na contratação de agências para estruturar campanhas de desinformação na mídia.
O publicitário também estaria envolvido no aliciamento de influenciadores digitais e profissionais de imprensa com ofertas financeiras expressivas, que chegavam a valores de até R$ 2 milhões por postagens coordenadas, para questionar publicamente decisões de instituições públicas, como a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master. (Com informações do portal de notícias g1)
