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De olho em cortes no “Sistema S”, Paulo Guedes escolheu o presidente da Firjan para o conselho do Sesi

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, será nomeado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para o comando do conselho nacional do Sesi. A informação foi confirmada à colunista do portal G1 Andréia Sadi pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes. O nome de Eduardo Eugenio será confirmado nesta segunda-feira (31).

Há duas semanas, Paulo Guedes defendeu, no Rio de Janeiro, cortes no chamado “Sistema S”, que engloba, entre outros, organizações do setor produtivo, como Sesi, Senai e Sesc. As entidades desse sistema não são públicas, mas recebem repasses de verbas do governo federal.

“Como é que você pode cortar isso, cortar aquilo e não cortar o ‘Sistema S’? Tem que meter a faca no ‘Sistema S’ também”, afirmou na ocasião o futuro ministro da Economia durante evento com empresários na Firjan.

Após definir Eduardo Eugênio no comando do conselho do Sesi, Paulo Guedes voltou a defender em entrevista ao blog mudanças no “Sistema S”.

“Há muitos gastos com publicidade, compras de imóveis e influência parlamentar com recursos do ‘Sistema S’”, reclamou o futuro comandante da Economia, referindo-se à gestão dos recursos das organizações do setor produtivo.

A fala do futuro ministro ao anunciar os cortes foi recebida com reação negativa da plateia, ao que ele seguiu: “Óóó! Vocês estão achando que a CUT perde o sindicato mas aqui fica tudo igual? O almoço é bom desse jeito, ninguém contribui?”, questionou, sendo seguido por aplausos.

Paulo Guedes ressaltou que os cortes no “Sistema S” poderão ser ainda mais profundos caso não haja negociação.

Segundo ele, o corte pode chegar a 50% dos recursos. “Eu acho que a gente tem que cortar pouco para não doer muito. Se tivermos interlocutores inteligentes, preparados, que quiserem contribuir como o Eduardo Eugênio (presidente da Firjan), a gente corta 30%. Se não tiver, é 50%”, disse ele.

Na ocasião o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio, que administra os recursos do Senai e do Sesi no Rio, comentou a declaração do futuro ministro. “Acho que todas as organizações e instituições no Brasil, privadas ou públicas, merecem uma revisita para melhorar seus custos. O ministro que diz ao mesmo que quer cortar nos orçamentos dos (sistema) ‘S’ diz que não quer prejudicar as coisas que dão certo, as escolas que estão funcionando e entregando mudança de vida para as pessoas”.

Sistema S

O sistema S reúne entidades empresariais voltadas para o treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica – serviços considerados de interesse público. Atualmente, 9 entidades compõem o sistema. Todas têm seu nome iniciado com a letra “S”: Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial); Sesc (Serviço Social do Comércio); Sesi (Serviço Social da Indústria); e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio). Existem ainda os seguintes: Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural); Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo); e Sest (Serviço Social de Transporte).

Embora sejam privadas e administradas por federações e confederações patronais, essas entidades são mantidas por contribuições estipuladas em lei e administram recursos públicos. Em 2018, segundo a Receita Federal foram repassados R$ 17,08 bilhões. No ano passado, foram R$ 16,47 bilhões.

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