De volta ao presídio da Papuda, no Distrito Federal, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) reencontrou os mesmos companheiros de cela da primeira vez em que esteve no local.
O peemedebista foi preso na última sexta-feira depois de a PF (Polícia Federal) descobrir um “bunker” em Salvador (BA), onde estavam guardados R$ 51 milhões em dinheiro vivo. A PF identificou nas notas impressões digitais do ex-ministro e de seu ex-assessor Gustavo Ferraz, também detido.
Geddel chegou à Papuda no fim da tarde de sexta-feira, dois meses depois da primeira vez, quando foi preso por obstrução de Justiça no dia 3 de julho. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do DF, o baiano divide cela com nove presos, exatamente os mesmos da outra vez.
Segundo o órgão, a capacidade da cela é para 12 pessoas, com quatro treliches. Há no espaço apenas chuveiro frio e um local para necessidades fisiológicas.
Geddel está no mesmo presídio de Lucio Bolonha Funaro, pessoa que foi determinante para a decisão da Justiça da primeira prisão do peemedebista.
Preso desde julho do ano passado, Funaro é apontado pelas investigações como operador do ex-deputado Eduardo Cunha e de todo o PMDB da Câmara. De acordo com a SSP, eles estão em alas separadas na Papuda. Geddel está na ala A e Funaro na ala B, no bloco 5.
Segundo a assessoria de imprensa da SSP, eles não têm permissão de se encontrarem. Os dois têm direito a duas horas por dia de banho de sol, mas em momentos diferentes.
Todos os detentos da cela de Geddel têm ensino superior, segundo a SSP.
Geddel é réu em processo em que é investigado por obstrução de Justiça. O ex-ministro é suspeito de tentar impedir que o doleiro Lúcio Funaro fizesse uma delação premiada. Na denúncia apresentada à Justiça Federal, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que o ex-ministro teria tentado atrapalhar a Operação Cui Bono.
O episódio levou à prisão preventiva de Geddel em julho deste ano. Ele cumpria prisão domiciliar na capital baiana, a pouco mais de 1 km de onde foi encontrado o dinheiro.
Geddel também é suspeito de ter recebido cerca de R$ 20 milhões em propina de empresas interessadas na liberação de financiamentos na Caixa Econômica Federal.
Governos
Geddel deixou o governo Temer, de quem é amigo de longa data, sob acusação de pressionar o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero (Cultura) para viabilizar um empreendimento na Bahia.
No governo Lula, ele comandou do Ministério da Integração Nacional, entre 2007 e 2010.
Na gestão Dilma Rousseff, entre 2011 e 2013, ele foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.
