A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de reduzir o ritmo do corte da Selic (taxa básica de juros) para 0,75 ponto percentual na reunião de julho não agradou o governo. A justificativa para a decisão mais conservadora estaria na incerteza criada pela crise que abalou o governo do presidente Michel Temer desde a divulgação da delação premiada dos irmãos Batista, donos da JBS/Friboi.
O resultado do PIB no primeiro trimestre não enseja comemoração. O consumo das famílias e os investimentos não reagiram. Os dados disponíveis para o segundo trimestre não confirmam que o País esteja retomando o crescimento. Indústria e serviços parecem ainda estagnados. E a situação pode piorar, porque há indícios de que, desde as delações dos irmãos Batista, houve queda nos indicadores de confiança.
Entidades
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) considerou o corte de 1 ponto percentual conservador. Segundo o presidente da instituição, Paulo Skaf, com a decisão, o Banco Central “retarda o processo de retomada da economia e da geração de empregos”.
A avaliação da Fiesp é compartilhada pelo presidente da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, Alencar Burti. “Na prática, a taxa de juros real está crescendo, o que é ruim para o consumidor e para a economia em geral. Portanto, o Copom precisa cortar a Selic de forma mais intensa nas próximas reuniões.”
O Serviço de Proteção ao Crédito considerou a redução da Selic positiva para o país, mas também avaliou que o corte poderia ter sido maior.
