Ícone do site Jornal O Sul

Defesa de Lulinha aciona a Polícia Federal e tenta arquivar inquérito por “falta de justa causa” antes das eleições

Lulinha é alvo da Operação Sem Desconto e teve os sigilos telemático, fiscal e bancário quebrados. (Foto: Reprodução)

A defesa de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, avalia uma ofensiva jurídica para pedir o arquivamento do inquérito contra ele na Polícia Federal (PF), que apura fraudes em descontos do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Os advogados vão alegar falta de justa causa.

Antes de entrar com a medida na Justiça, porém, os advogados Marco Aurélio Carvalho e Guilherme Suguimori devem se encontrar com o diretor-geral da PF, Andrei Passos, ainda nesta semana. A pressa é para tentar trancar o caso antes das eleições deste ano.

Na sexta-feira passada (3), a direção da Polícia Federal afirmou que a conclusão dos primeiros inquéritos sobre desvios ilegais de aposentadorias deve ser apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) até o final deste mês de julho.

Entretanto, como revelou a Coluna do Estadão, a Polícia Federal indicou ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que só terá condições de compilar, cruzar e analisar dados de evidências dos sigilos de Lulinha e materiais apreendidos na Operação Sem Desconto no ano que vem.

A mensagem não está escrita literalmente, mas foi lida internamente desta forma em razão da prioridade dada aos relatórios de IPJs (Informação de Polícia Judiciária) dos investigados que estão presos ou sob medidas restritivas. Como responde ao processo em liberdade e sem restrições, o filho de Lula ficaria para o final da fila.

Esse período, porém, causa preocupação ao grupo do presidente Lula. A percepção política entre os petistas é de que manter o inquérito em passos lentos é prejudicial para a campanha deste ano, pois alimenta as dúvidas sobre o filho do presidente e dá munição à oposição. Já o arquivamento, argumentam os governistas nos bastidores, deixa de “ser um problema” e “passa a ser trunfo” para a campanha eleitoral.

Marco Aurélio Carvalho, um dos advogados de Lulinha, nega que a defesa esteja tentando “furar fila” na investigação.

“Entendemos e respeitamos a ordem de que presos e pessoas com medidas cautelares restritivas devem ter prioridade na análise do material. Mas a situação do meu cliente também tem forte impacto político, e não há nada que justifique a manutenção deste inquérito contra ele”, afirmou. “Até o presente momento, não houve nada que justificasse nem sequer um pedido de depoimento do meu cliente”, continuou.

Marco Aurélio reiterou que Lulinha está “à disposição da Justiça, do ministro André Mendonça e das autoridades policiais para prestar qualquer esclarecimento sobre qualquer fato”. Também voltou a negar qualquer tipo de relação direta ou indireta do filho de Lula com as fraudes investigadas, e disse que mantém a confiança em Andrei Passos e em André Mendonça.

Lulinha é alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, e teve os sigilos telemático, fiscal e bancário quebrados a pedido da PF e com autorização do ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

A Polícia Federal informou ao STF que encontrou menções a um dos filhos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em três diferentes conjuntos de informações colhidas ao longo da investigação sobre desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões. Como revelou o Estadão, a PF apura se Lulinha teria atuado como “sócio oculto” do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, em negócios com o governo federal. (Com informações da Coluna do Estadão, de O Estado de S. Paulo)

Sair da versão mobile