Ícone do site Jornal O Sul

A defesa do ex-presidente Lula acredita que os embargos de declaração entregues ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região dificilmente serão julgados até o fim de março

Sem uma reversão no quadro atual, o petista poderá ser preso após a apreciação deste recurso. (Foto: Banco de dados)

A defesa de Lula acredita que os embargos de declaração entregues na terça-feira (20) ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) dificilmente serão julgados até o fim de março.

Sem uma reversão no quadro atual, o petista poderá ser preso após a apreciação deste recurso. O ex-presidente não passa recibo sobre o quadro e faz ironia. Mesmo nas conversas internas, trata o possível encarceramento como ato político e diz que, “se fosse eles, também mandaria prender”. “É o único jeito de ganharem a eleição”, conclui.

Caso os desembargadores não tratem de todos os aspectos questionados no recurso, a defesa do ex-presidente não descarta apresentar novos embargos de declaração ao TRF-4. Integrantes da tribunal apostam que o caso de Lula deve ser pautado no fim de março, quando a composição original da turma que julgou o petista em janeiro estará completa – neste momento, dois juízes estão de férias.

Omissões

Em embargos de declaração apresentados ao TRF-4, os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontaram 23 omissões no mérito do acórdão da Corte que confirmou a condenação do líder petista no caso do triplex do Guarujá (SP). A defesa afirma que há “obscuridades” na decisão quanto à posição do réu no suposto comando dos esquemas de corrupção da Petrobras, no recebimento do imóvel pela empreiteira OAS e no vínculo entre o apartamento e os desvios de recursos da estatal.

Eles também afirmam que “soa estranho que o comandante de um gigantesco e maquiavélico esquema de corrupção limite a sua atuação à mera nomeação e manutenção de agentes públicos” e considera incompatível que Lula estivesse na liderança do esquema apenas por ter conhecimento ou ausência de ação para fazê-lo cessar.

Ainda de acordo com os defensores, o acórdão usurpa da competência do Supremo Tribunal Federal ao associar a posição do ex-presidente à corrupção na Petrobras, já que o petista já é alvo de denúncia na Corte pelo chamado “Quadrilhão do PT”. Também são questionados os depoimentos do ex-deputado Pedro Corrêa e do ex-senador Delcídio do Amaral, que embasam a convicção dos desembargadores sobre a responsabilidade de Lula: as versões de ambos seriam conflitantes com a de outros delatores.

Na avaliação dos advogados, o acórdão também não esclarece a origem ilícita dos valores empregados no triplex. Eles também querem que o TRF-4 aponte o “ato de ofício” do ex-presidente que teria comprovado a corrupção, e dizem haver contradições entre o depoimento de Léo Pinheiro e o acórdão que nele se embasou, sem levar em consideração o fato de que a OAS entregou o triplex como garantia de dívida junto à Caixa.

A defesa ainda questiona: “Qual o elemento concreto a demonstrar que, se tivesse adquirido o imóvel, o embargante não faria o pagamento pelas benfeitorias realizadas no imóvel? O acórdão não aponta qual teria sido a ação concreta praticada pelo ex-presidente e que fundamentaria a sua condenação por lavagem de dinheiro”.

Sair da versão mobile