O aumento dos reembolsos decorrentes das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, após estas terem sido consideradas ilegais pela Suprema Corte dos Estados Unidos, elevou o déficit orçamentário federal de junho para US$ 120 bilhões, informou o Departamento do Tesouro. Trata-se de uma reviravolta acentuada em relação ao superávit de US$ 27 bilhões registrado em junho do ano passado e que a Casa Branca apresentava como prova do sucesso da taxação adicional.
A arrecadação bruta de tarifas chegou a US$ 23,6 bilhões, no entanto um total de US$ 49,2 bilhões em reembolsos levou am um resultado negativo de US$ 25,6 bilhões no mês.
Os reembolsos começaram a ocorrer em maio, três meses após a decisão que considerou ilegais as tarifas globais mais amplas e onerosas de Trump, com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieppa, na sigla em inglês), promulgada em 1977. Já os reembolsos de junho superaram em mais que o dobro os US$ 22 bilhões devolvidos em maio.
Em junho de 2025, enquanto as tarifas de Trump ainda estavam em ascensão, o Tesouro norte-americano registrou arrecadações alfandegárias líquidas de US$ 26,6 bilhões, elevando-as acima de US$ 100 bilhões pela primeira vez em um ano fiscal.
Na época, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou que os resultados orçamentários mostravam que o país estava “colhendo os frutos” da postura agressiva de Donald Trump no setor. Essa agenda está em constante mudança: a cobrança global de 10% deve expirar em 24 de julho e o governo prepara novas ações em resposta ao que considera “aplicação frouxa das leis contra o trabalho forçado e ao excesso de capacidade industrial”.
Um juiz federal alertou que o recurso do governo contra sua ordem de reembolsar todas as tarifas ilegais estava atrasando os pagamentos.
Os reembolsos de maio e junho totalizam cerca de US$ 71 bilhões, ou 42% dos US$ 166 bilhões em tarifas baseadas na IEEPA arrecadadas pela Agência de Alfândega e Proteção de Fronteiras que estavam sujeitas a reembolso.
“Vergonha”
O presidente americano tentou implementar tarifas abrangentes utilizando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. Mas a Suprema Corte decidiu, por 6 votos a 3, que ele havia extrapolado sua autoridade e, por isso, era necessário invalidar as “tarifas recíprocas” e forçando o governo a devolver dezenas de bilhões de dólares cobrados indevidamente de empresas importadoras.
Quando a Suprema Corte dos Estados Unidos deu seu veredito, Donald Trump reagiu com manifestações típicas de sua postura frente no comando da Casa Branca. Ele classifou a decisão como “uma desgraça” e “profundamente decepcionante”. Também chamou de “uma vergonha” os juízes que votaram contra a medida. Por outro lado, declarou que o veredito lhe deu “muito mais poder e força” para agir contra parceiros comerciais e anunciou novas taxas logo em seguida. (com informações da rede CNN)
