Os jovens médicos, que já foram seduzidos pela tecnologia, estão fascinados pelos novos exames de avançada técnica. São transmitidos até pelo celular! O mesmo sentimento envolve os pacientes.
Acham que na trilha do diagnóstico são as pedras primordiais e fundamentais.
Ainda não se conscientizaram que a anamnese é o melhor caminho para desvendar a doença. Os médicos mais antigos e experientes sabem que ela pode ser decisiva e reveladora na maioria dos casos.
Ouvir com atenção o paciente é um ato artístico que somente se desenvolve com o tempo.
Uma pesquisa realizada pela Academia Americana de Ortopedia (AAOS) concluiu que os médicos da nossa especialidade só deixam os pacientes falarem, em média, quinze segundos. Após este tempo interrompem o relato.
Como somos mais afetuosos que os norte-americanos, provavelmente este tempo de interrupção deve ser um pouco maior entre nós.
Escutar o paciente traz minucias e detalhes sobre os sintomas que nem um outro exame pode revelar.
O médico deve ouvir com atenção e olhar nos olhos do paciente. Muitos médicos não usam o computador na sala de consulta, justamente para não perder este contato mais humanizado.
Escutar o paciente faz parte do ritual mais básico e mais antigo da história da medicina.
É um gesto de receptividade, carinho e afeto. Deixar falar reduz a ansiedade e cria um laço de confiança mais robusto, isto é, fortalece a relação médico paciente.
É preciso ouvir, conhecer e compreender o paciente. Permita que diga quem ele é! onde vive! Deixe falar das suas vivências, das suas experiências, das suas preocupações. Deixe ele falar dos seus familiares… dos seus netos!
Jacques Lacan, psicanalista francês, coloca como princípio básico da terapia lacaniana a proibição do médico de intervir ou interromper a fala do paciente.
William Osler, professor da Johns Hopkins University, ficou conhecido por pregar o humanismo entre os novos médicos. Faleceu em 1919. Deixou várias frases famosas, mas uma das mais emblemáticas foi: “Escute o paciente, ele está lhe dizendo o diagnóstico.”
Portanto, deixe o paciente falar!
(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário – schwartsmann@gmail.com)
