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Delação da marqueteira do PT leva Dilma a risco de novo processo

Monica Moura contou que a então presidenta, preocupada com o avanço da Operação Lava-Jato, a chamou a Brasília. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O relato de Monica Moura ao Ministério Público em sua delação premiada é repleta de detalhes que ampliam a credibilidade da narrativa e deixam a situação da ex-presidenta Dilma Rousseff muito complicada, sob a acusação de tentativa de obstrução de Justiça.

Monica Moura contou, por exemplo, que a então presidenta, preocupada com o avanço das investigações da Operação Lava-Jato, a chamou a Brasília e juntas, em um encontro no Palácio da Alvorada, decidiram combinar uma forma de comunicação que estivesse protegida com sigilo. Por este meio, ela poderia avisar o casal dos passos das investigações – ou que estava sendo transmitido a ela pelo então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Cardozo confirmou que, por dever de ofício, comunicava a presidenta das ações da Polícia Federal.

Monica Moura conta que propôs abrir uma conta de e-mail compartilhada com Dilma, para que as duas acessassem pela gaveta de rascunho, sem que a comunicação entrasse na web. Coube a Dilma escolher o nome e a senha. E ela escolheu iolanda2606 e a senha com o número 47, que é o ano de nascimento da ex-presidenta.

Na principal mensagem que enviou ao casal para advertir da aproximação das investigações às contas deles no exterior, Dilma fez referência a uma linguagem que era usada pelos opositores da ditadura que chamava a prisão de “hospital”. Na mensagem, Dilma diz que “o amigo está muito mal, indo para o hospital e, o pior, a mulher dele que cuidava dele, também doente”. Monica Moura entendeu que o aviso de que ela e João Santana seriam presos – o que aconteceu. (AG)

 

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