O lobista Hamylton Padilha, que representava empresas multinacionais do setor de petróleo, afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, que pagou propina para o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Jorge Zelada por contrato de construção de navio-sonda.
A área era cota do PMDB no esquema de cartel e corrupção na estatal, acusa a força-tarefa do Ministério Público Federal. Delator da Operação Lava-Jato desde julho, ele confirmou que o operador de propinas do partido João Augusto Henriques e outro lobista, Raul Schmidt, eram os intermediários das quantias pagas aos agentes públicos e políticos.
“Ele [Schmidt] disse que, para que prosseguissem as negociações para a contratação dessa unidade e a possibilidade de sucesso, que ele não garantia, mas achava que era possível, a condição necessária era que houvesse o pagamento de vantagens ou propinas para membros da Diretoria Internacional da Petrobras”, disse Padilha.
O lobista foi ouvido por Moro na sexta-feira (30). Ele relatou como foi feito o pagamento de 10 milhões de dólares para agentes públicos e políticos na área Internacional, em 2008, por um contrato para construção do navio-sonda para exploração de petróleo na África Titanium Explorer. Padilha é engenheiro e fechou no final de julho acordo de delação com a Lava-Jato. Ele pagará multa no valor de 70 milhões de reais. (Fausto Macedo/AE)
