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Delator diz que protegeu Cunha por temer retaliação contra família

Embora admita não ter recebido nenhuma ameaça diretamente do presidente da Câmara dos Deputados, delator afirmou que tinha “receio” de alguma ação contra terceiros. (Foto: Gustavo Lima/Agência Câmara)

Delator na Operação Lava-Jato desde dezembro do ano passado, o consultor da Toyo Setal Júlio Camargo disse, em depoimento à Justiça Federal de Curitiba (PR), que vinha omitindo o nome do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em seus depoimentos sobre o escândalo na Petrobras por temer que o presidente da Câmara retaliasse a sua família.

“Todo homem que é responsável é obrigado a ter medo e receio. E uma pessoa que age não diretamente, e tem que ameaçar você através de terceiros, já é uma pessoa a quem deve se ter todo cuidado.”

“Estamos falando de uma pessoa que, dizia ele, tinha o comando de 260 deputados no Congresso – e na eleição para líder do Congresso [presidente da Câmara dos Deputados], na minha opinião, isso se constatou”, continuou. Embora admita não ter recebido nenhuma ameaça diretamente, Camargo afirmou que tinha “receio” de alguma ação contra terceiros.

“[Cunha é] uma pessoa de alto poder de influência. Meu maior receio, qual é? Família, porque quem age dessa maneira pode perfeitamente agir não contra você, mas contra terceiros. A pessoa que é pai de família sabe que machucar um ente querido é pior que machucar a você mesmo. E [Cunha tinha] o poder de influência contra os meus negócios e contra as minhas empresas”, afirmou.

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