Dois delatores da Operação Lava-Jato, um ligado à Odebrecht e outro à Andrade Gutierrez, envolveram o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) em esquemas de corrupção em obras do metrô e na reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.
Em seu acordo de delação premiada, o ex-executivo da construtora Andrade Gutierrez Clóvis Renato Primo relatou que o então secretário de governo de Cabral, Wilson Carlos, pediu à empreiteira que pagasse propina ao Tribunal de Contas do Estado do Rio, órgão responsável justamente por fiscalizar as obras públicas do governo estadual e das prefeituras.
O pagamento da vantagem ilícita teria o objetivo de evitar problemas com o tribunal em relação às obras do estádio do Maracanã. Segundo Primo, a propina seria de 1% do valor da obra e seria repassada ao então presidente do Tribunal de Contas do Estado José Maurício Nolasco. O delator autorizou o pagamento, mas não soube dizer se ele foi feito efetivamente. As obras no estádio deveriam ter custado 705 milhões de reais aos cofres públicos, mas a cifra aumentou para 1 bilhão de reais.
O ex-diretor-presidente da Odebrecht Benedicto da Silva Júnior, preso em fevereiro, contou a procuradores que Cabral cobrou propina também do metrô e do Complexo Petroquímico do RJ.
