Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 29 de maio de 2017
O presidente da ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal), Carlos Sobral, criticou a decisão do presidente Michel Temer de trocar o ministro Osmar Serraglio pelo ministro Torquato Jardim no comando do Ministério da Justiça. Para Sobral, a mudança pode ser a senha para uma eventual intervenção política na Polícia Federal com o objetivo de esvaziar a Lava-Jato e outras investigações sobre corrupção. O delegado lembra que, em recentes diálogos captados a partir da delação de executivos da JBS, os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP), dois investigados na Lava-Jato, foram flagrados articulando a saída de Serraglio.
“Essa troca nos traz muitas preocupações sobretudo pelo contexto. Em dois diálogos publicizados recentemente, dois investigados (Aécio e Serra) falam sobre a necessidade de trocar o ministro da Justiça por um outro mais forte. Mais forte no sentido de interferir na PF”, afirmou Sobral.
Os diálogos de Aécio e Serra foram gravados na Operação Patmos, que já resultou na abertura de inquérito contra Temer, Aécio e outros por corrupção, obstrução de Justiça e organização criminosa. Numa conversa com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, Aécio critica uma suposta falta de pulso de Serraglio, defende a aprovação do projeto sobre abuso de autoridade e defende a indicação de delegados amigos para presidir inquéritos contra ele e outros aliados.
Numa outra conversa, Aécio trata do mesmo assunto com Serra. Logo depois que as delações da Odebrecht foram tornadas públicas, Serra liga para o colega e também defende a saída de Serraglio. (AG)
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