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Depois da captura do presidente da Venezuela, Trump pode derrubar o governo de Cuba para aumentar a sua popularidade dentro dos Estados Unidos

O atual presidente de Cuba é Miguel Díaz-Canel. (Foto: Reprodução/TV Estatal cubana)

Dias inteiros sem energia elétrica se tornaram parte da rotina dos cubanos em Havana e nas cidades do interior. Após a interrupção do fornecimento de petróleo venezuelano para Cuba, determinada pelos EUA após a derrubada de Nicolás Maduro, o país enfrenta uma de suas piores crises energéticas com apagões todos os dias e se vê com poucas opções de negociação diante da investida dos EUA para o fim de seu regime político.

Voos foram cancelados por falta de combustível de aviação, montanhas de lixo se juntam nas ruas de Havana por falta de gasolina para os caminhões de coletas, e os tradicionais carros dos anos 50, com o tanque vazio, deixaram de rodar a ilha.

A crise energética, que já afetava o país desde o ano passado, se tornou insustentável após a ação dos EUA na Venezuela. Desde 10 de fevereiro, a ilha enfrenta racionamento de combustível. O México, segundo maior provedor do produto para a ilha, também foi advertido pelo governo americano a cessar o envio do insumo. Os EUA afirmam que a suspensão do fornecimento de petróleo para Cuba é uma resposta à “ameaça excepcional” que o país caribenho representa.

O atual presidente de Cuba é Miguel Díaz-Canel. Ele ocupa o cargo de Presidente da República desde abril de 2018, tendo sido reeleito para um novo mandato até 2028. Além da presidência, ele atua como o Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC) desde 2021.

A principal demanda é que o país aceite um acordo de abertura do governo para que Washington possa pressionar as decisões comerciais e econômicas, semelhante ao que faz com a Venezuela desde janeiro. Mas um cenário onde Trump possa ser o presidente a acabar com os quase 70 de governo autoritário em Cuba também está em jogo para o governo americano. A medida poderia aumentar a popularidade de Trump, sendo a segunda investida seguida em mudar o regime de um país latino americano sob a mira dos EUA há tantos anos.

“Seria muito popular nos Estados Unidos remover um regime comunista do quintal dos Estados Unidos. Então eu acho que a intenção é fazer isso”, afirma Ian Bremmer, cientista político americano e presidente e fundador do Eurasia Group, em entrevista ao Estadão.

A busca por aprovação pode ser ainda maior no contexto americano deste ano. Em novembro ocorrem as eleições de meio de mandato, em que a população escolhe os próximos representantes que atuarão no Senado e na Câmara.

Atualmente, as duas casas possuem maioria republicana, mas uma pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou que democratas estão mais propensos a participar da votação do que seus opositores, renovados após vitórias importantes a nível estadual e municipal em 2025.

Segundo uma estimativa da empresa de consultoria Kpler, Cuba tem petróleo suficiente apenas para funcionar até o início de março. Na semana do dia 10 de fevereiro, a Unión Eléctrica, companhia de eletricidade do país, registrou um pico de 64% do território sem energia simultaneamente, o maior número já registrado desde que começou a divulgar as estimativas diárias. Atualmente, Cuba precisa de, em média, cerca de 3000 MW para funcionar normalmente em horário de pico. Nos últimos dias, o déficit de energia tem ultrapassado os 1700 MW.

Eric Farnsworth, membro do Programa Américas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês), acredita que é difícil calcular o tamanho da reserva real de combustível do país, mas que é provável que o racionamento tenha que aumentar nos próximos dias.

“Cuba tentará prolongar o abastecimento reduzindo o consumo, talvez prolongando os apagões e a geração de energia. O presidente cubano sugeriu que quer conversar com os Estados Unidos para tentar, de alguma forma, encontrar um acordo para receber petróleo adicional, talvez por motivos humanitários. É uma crise real e, a menos que haja um novo fornecimento que Cuba possa receber, será um país que ficará sem energia”, apontou Farnsworth em entrevista ao Estadão.

Dentre os países que afirmaram negociar ajuda humanitária para a ilha estão México, Chile e Rússia, mas apenas Moscou disse que deve mandar petróleo para Cuba. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum apontou que está em negociação com os EUA para o envio do insumo. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

 

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