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Depois da divulgação do relatório do Banco Central sobre a inflação brasileira, analistas acreditam que o ritmo forte de queda na taxa básica de juros pode ser mantido

O BC apertou o controle ao exigir comunicação automática de movimentação de recursos em dinheiro vivo de R$ 100 mil para R$ 50 mil. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

O mercado financeiro passou a enxergar chances maiores de o BC (Banco Central) manter em julho o ritmo de corte de 1 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros), atualmente em 10,25% ao ano. A divulgação do Relatório Trimestral de Inflação do BC deixou, na visão de analistas financeiros, aberta a possibilidade de continuar intensa a sequência de queda, a despeito das preocupações com os efeitos negativos da crise política sobre a inflação. Nas expectativas para o final de 2017, já começam a surgir apostas em uma taxa de 8,5% ao ano para a Selic.

No encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) no fim de maio, o BC havia indicado a intenção de reduzir o ritmo, talvez para 0,75 ponto porcentual, principalmente porque o andamento das duas principais reformas do governo no Congresso – trabalhista e previdenciária – ficou ameaçado pela crise política.

Na última terça-feira, as preocupações da autoridade monetária com o trâmite legislativo se mostraram procedentes, com a derrota sofrida pelo governo na votação do parecer da reforma trabalhista na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado. Já a votação da reforma da Previdência na Câmara entrou em compasso de espera, que deve levar a medida à votação somente depois do recesso parlamentar, em agosto ou até mesmo em setembro.

Na prática, sem as reformas, o Banco Central enxerga dificuldades para que o governo coloque a área fiscal nos eixos, o que é essencial para quedas mais consistentes da Selic no longo prazo.

Após o relatório de inflação de ontem, no entanto, a percepção do mercado foi de que um corte de 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom, em julho, não está descartado e as apostas se dividiram entre 0,75 ponto e 1 ponto. Isso porque a inflação segue acomodada e a economia continua em marcha lenta, incapaz de pressionar os preços.

“O BC não insistiu tanto na ideia da moderação da taxa Selic agora”, disse o economistachefe da Gradual Investimentos André Guilherme Perfeito. “Acho que eles vão cortar a Selic em 1 ponto em julho, porque a inflação estará muito baixa e a atividade também.”

Para o economista sênior do Haitong Banco de Investimento do Brasil, Flávio Serrano, o mais provável para julho ainda é que o Copom corte a Selic em 0,75 ponto porcentual, em função das preocupações com o andamento das reformas. “Porém, parece óbvio que, pelo bom comportamento da inflação e pelas expectativas de uma atividade ainda fraca, 1 ponto porcentual não pode ser descartado”, disse.

Levantamento feito após a divulgação do relatório pelo Projeções Broadcast mostra que, de 40 instituições financeiras, 32 esperam corte de 0,75 ponto porcentual da Selic no mês que vem, o que levaria o juro básico para 9,5% ao ano. Oito casas projetam corte de 1 ponto porcentual, para 9,25% ao ano.

“Em nenhum momento nos comprometemos com decisões futuras”, ressaltou ontem o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Viana de Carvalho, ao falar sobre o futuro da taxa básica de j uros.

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