O PDT já admite a possibilidade de abrir mão da pré-candidatura presidencial de Ciro Gomes em busca de consenso com partidos de centro e centro-direita para lançar um nome único à Presidência em 2022. Ciro é um dos seis pré-candidatos que assinaram um manifesto em defesa da democracia, articulado pelo ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) e divulgado na quarta-feira.
O ex-ministro Sérgio Moro participou da elaboração do documento, mas não quis assiná-lo.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, diz que o partido ainda pretende lançar Ciro na próxima disputa presidencial, mas pondera que se o presidente Jair Bolsonaro se mantiver com chances de se reeleger, a ideia é a legenda se juntar com o centro e ter uma candidatura única, mesmo que não seja a do ex-governador do Ceará. “Se houver a ameaça de continuidade de Bolsonaro, é uma hipótese que admito”, diz Lupi, em relação ao recuo de uma candidatura própria. “Se surgir nessa terceira via um outro nome, que apresente um bom projeto, podemos conversar”, afirma. “É preciso ver o melhor nome, quem poderá derrotar Bolsonaro. Não podemos entrar nessa conversa com um projeto hegemônico, de fazer aliança desde que o candidato seja o meu.”
Lupi marca distanciamento em relação à centro-esquerda e diz que não apoiará uma eventual candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O PT e Lula já deram o que tinham que dar. É preciso olhar o amanhã. Lula é o Brasil de ontem. Não vejo chance de uma aliança”, diz o presidente do PDT.
O manifesto em defesa da democracia divulgado na quarta foi o primeiro passo de lideranças de centro e de centro-direita para tentarem construir uma terceira via entre Lula e Bolsonaro em 2022. A ideia partiu de Mandetta e na terça-feira o ex-ministro começou a discutir a elaboração de um documento sobre o “dia da consciência democrática”. O ex-ministro da Saúde da gestão Bolsonaro conversou com o ex-ministro Sérgio Moro e o ex-presidente do Novo João Amoêdo. No mesmo dia, agravou-se a crise militar com Bolsonaro, com o pedido de demissão dos chefes das Forças Armadas depois da troca no comando do Ministério da Defesa feita pelo presidente.
Na quarta-feira, Mandetta conversou com Ciro, os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o apresentador Luciano Huck para articularem o texto. A ideia era divulgar o manifesto no mesmo dia do aniversário de 57 anos do golpe militar, e em meio à crise militar. Em um grupo de whatsapp formado por Mandetta, Ciro, Leite, Doria, Amoêdo, Moro e Huck, os sete pré-candidatos à Presidência discutiram as bases do documento, apresentado pelo ex-ministro da Saúde. No fim do dia, divulgaram o manifesto com críticas às ameaças à democracia enfrentadas pelo país e com citações às Diretas Já, movimento que reuniu diferentes forças políticas pela redemocratização. As informações são do jornal Valor Econômico.
