Em novembro do ano passado, quando Michel Temer chamou o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para uma conversa em seu escritório em São Paulo, Dilma Rousseff era presidenta da República e o risco de impeachment parecia contido. Segundo o relato que Meirelles fez mais tarde a um assessor, sua volta ao governo não foi discutida nesse dia, mas ele fez questão de apontar ao vice-presidente a falta de unidade no comando da política econômica como um problema a enfrentar.
Alguns dias depois, o ministro Jaques Wagner, braço direito de Dilma no Palácio do Planalto, procurou-o para saber se tinha disposição para assumir o Ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy, que Dilma queria trocar. Meirelles respondeu que sim, mas repetiu o que dissera antes a Temer sobre a necessidade de sintonia na área econômica. Dilma recebeu o recado, concluiu que Meirelles queria mandar sozinho e desistiu de fazê-lo ministro.
No fim de abril, quando Temer já se preparava para assumir a Presidência, Meirelles foi chamado novamente. Primeira opção de Temer para a Fazenda, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga indicara que não queria o posto. Meirelles reafirmou suas condições, e Temer concordou com elas. Aos 70 anos, Meirelles volta ao poder como um dos homens fortes do governo.
