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Depois de ter acampamento desmontado, grupo pró-Bolsonaro invade a cúpula do Congresso, em Brasília

Sem máscaras, membros do grupo '300 do Brasil' gritaram palavras de ordem e chegaram a subir a rampa do prédio principal. (Foto: Reprodução/ Vídeo Sara Winter)

Depois de ter o acampamento desmontado pelo governo do Distrito Federal, um grupo do movimento que se autodenomina ‘300 do Brasil’ invadiu a parte de cima da cúpula do Congresso, pelo lado do Senado Federal, onde é proibido o acesso ao público. O grupo, liderado pela militante pró-governo Sara Winter, ficou na cúpula por 30 minutos. Depois, ocupou o gramado em frente ao espelho d’água do Congresso.

Os manifestantes bolsonaristas protestaram contra os demais poderes em Brasília. Eles cobram que o presidente Jair Bolsonaro intervenha em defesa do grupo, alvo de investigações do Ministério Público por suspeita de porte de arma.

Pela manhã, agentes da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) desmontaram e recolheram faixas, material de lona e estrutura metálica do acampamento, antes montado na Esplanada dos Ministérios, e também na Praça dos Três Poderes. A PM usou gás de pimenta para dispersar um pequeno grupo que resistiu à ação.

A militante Sara Winter, ex-assessora de confiança da ministra Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, protestou no Twitter. “Hoje às 6 (horas) da manhã a PMDF junto à Secretaria de Segurança desmantelou baixo (sic) gás de pimenta e agressões. Barracas, geradores, tendas, tudo tomado à força! A militância bolsonarista foi destruída hoje. Presidente, reaja!”.

O grupo bolsonarista e promotores de Justiça travavam uma disputa judicial há mais de um mês pela manutenção ou remoção do acampamento. A Polícia Militar ainda vai divulgar uma nota com informações da operação. A Secretária de Segurança Pública do Distrito Federal afirmou que a ação se deu com base legal.

Os militantes governistas se dirigiram às proximidades do Congresso Nacional, onde encontraram um grupo que se manifestava em favor do impeachment do presidente e em homenagem a profissionais de saúde. Houve provocações.

Críticas

Entidades de saúde e governadores do Nordeste criticaram o presidente Jair Bolsonaro por incentivar a população a entrar em hospitais e filmar leitos de UTI. Eles chamaram o presidente de “negacionista” por minimizar a pandemia do coronavírus e desconsiderar evidências científicas.

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) disse que o ataque “sistemático” do governo às instituições e servidores públicos e a “priorização escancarada dos interesses do mercado” é ainda mais cruel no contexto de pandemia. Segundo a nota, o governo continua assumindo sua atitude genocida e se coloca como adversário da ciência. “Isso demonstra total desprezo pela vida da população.”

E o Consórcio do Nordeste, composto pelos nove governadores da região, endereçaram uma carta a Bolsonaro, dizendo que “não é invadindo hospital e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia”.

Eles aproveitaram para reclamar das recentes operações da Polícia Federal, que já atingiram o governador do Rio, Wilson Witzel e do Pará, Helder Barbalho.

“Intensificaram- se as ações espetaculares, inclusive nas casas de governadores, sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a requisição de documentos. É como se houvesse uma absurda presunção de que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos que estão em outros países, gerando uma inexistente responsabilidade penal objetiva.”

O governador do Maranhão, Flávio Dino, ainda postou em sua conta no Twitter que “Bolsonaro não pode mandar extraoficialmente nada para Polícia Federal. Se mandar, tem que ser por ofício assinado. E a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não pode investigar”.

Eles relembraram que a lei n.º 13.979 deste ano dispensa a licitação em processos de urgência e que não havia tempo a perder. “Estamos inteiramente à disposição para fornecer todos os processos administrativos para análise de qualquer órgão.”

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