Os líderes das bancadas do PT, PDT e PSOL na Assembleia Legislativa decidiram assinar em conjunto uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para revogar o desconto determinado pelo governo do Rio Grande do Sul nos salários de professores estaduais gaúchos pelos dias parados durante a greve da categoria. A informação foi dada pela deputada petista Sofia Cevadon durante discurso no Plenário da Casa nessa terça-feira.
Segundo a parlamentar da oposição, os trabalhadores do magistério seguem lecionando sem condições, pois estão “sem salário e endividados”. Ela acrescentou que o encaminhamento da PEC atende a um pedido do Cpers-Sindicato. “Essa Assembleia tem a responsabilidade política com a sobrevivência dos servidores que foram assediados pelo governo que disse que quem quisesse receber em folha suplementar, parceladamente, deveria abrir mão de maneira irreparável de receber os descontos”, criticou.
Sofia aproveitou o espaço na tribuna do Legislativo para pedir a ajuda dos deputados de todos os partidos em um esforço para evitar que o ano letivo que está para começar seja prejudicado pelo desânimo dos professores. “Em nome da liderança do PT, faço um apelo ao conjunto as bancadas desta casa: vamos trabalhar para sensibilizar o governador do Estado para rever a decisão cruel em relação a quem lutou muito em nome de todos os servidores, mas especialmente pelos alunos e seus pais”, conclamou.
“As votações da semana passada marcarão o futuro das políticas públicas no estado do Rio Grande do Sul e não tenho dúvidas de que teremos que revisar algumas das nossas votações no que diz respeito em especial à educação, mas também sobre esse grande confisco salarial que é o congelamento de parte dos salários dos servidores”.
A Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa também se manifestou sobre a situação da categoria. Ao retomar os seus trabalhos na manhã dessa terça-feira, o colegiado discutiu aspecto da retomada do ano letivo de 2019 na rede pública estadual, atrasado em razão da greve do magistério.
Um de seus integrantes, o deputado Gaúcho da Geral (PSD) destacou a disposição do Parlamento em auxiliar no diálogo entre professores e governo do Estado: “Vamos buscar uma aproximação entre o Cpers e o Palácio Piratini, para tentar equalizar essa questão de uma forma que fique bom para os dois lados. Os professores merecem receber pelas aulas retomadas”.
Outro ponto levantado na reunião foi a política de fechamento de turno em escolas estaduais de Porto Alegre e Canoas. Diretores e professores das instituições de ensino criticaram a falta de diálogo por parte da Secretaria Estadual de Educação ao comunicar a medida. Na próxima segunda-feira, a Comissão abordará o tema em um encontro com membros do MP (Ministério Público).
Aposentados
A deputada estadual também condenou uma suposta declaração do governador Eduardo Leite de que “investir nos aposentados é investir no passado”. Na avaliação da petista, trata-se de um discurso desrespeitoso e inaceitável para com milhares de homens e mulheres que dedicaram a vida ao serviço público.
“Isso despreza toda uma concepção de seguridade social, de vida com dignidade, de políticas públicas que pensam o ser humano com integridade, por isso o governador deveria pedir desculpas aos milhares de aposentados por palavras tão rudes e assediosas”, finalizou.
(Marcello Campos)
