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Deputados democratas questionam papel do governo Trump na fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos

O governo Trump falou que "não vai se intrometer". (Foto: Reprodução)

Um grupo de deputados democratas enviou uma carta, na noite de quinta-feira, 29, ao Departamento de Estado dos Estados Unidos para questionar o papel do governo americano na fuga do ex-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro.

Segundo o site Politico, que teve acesso à carta, o documento foi uma iniciativa das deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada, e foi assinado por 25 parlamentares, entre eles integrantes da Comissão de Relações Exteriores.

Na carta, direcionada ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, os deputados fizeram 15 perguntas sobre o envolvimento da pasta na saída de Flávio do Brasil e o processo adotado para aprovar um visto americano para o senador enquanto ele deixava o País.

O Politico afirmou que os parlamentares pediram que Rubio esclareça como o Departamento de Estado coordenou com outras agências a concessão do visto, se as autoridades tinham conhecimento das investigações em andamento contra Flávio e em que medida a pasta e seus funcionários ajudaram o senador a deixar o Brasil e chegar aos EUA.

“O povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram usados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias”, escreveram os deputados na carta.

“A transparência é particularmente importante quando os acontecimentos relatados envolvem um processo judicial estrangeiro, relações bilaterais sensíveis e a aplicação consistente das políticas de imigração e diplomacia dos EUA.”

Na quinta-feira, o jornal The New York Times afirmou que o assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, foi o responsável por providenciar o jato particular que levou Flávio da Argentina para Miami, com uma parada no Equador.

Segundo o jornal, que cita uma fonte familiarizada com a logística da viagem, que falou sob condição de anonimato, o irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, mantém contato com Miller.

A fonte disse ao NYT que o plano começou a ser colocado em prática na segunda-feira, 26, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que Flávio entregasse seu passaporte. Como o senador não entregou o documento no prazo determinado, a Polícia Federal (PF) cancelou o passaporte dele em seu sistema de controle.

Os registros migratórios do governo da Argentina mostram que Flávio usou um passaporte italiano para entrar no país vizinho.

Flávio deixou o Brasil na noite de terça-feira, 27, dois dias após ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais. O petista foi reeleito com 51,79% dos votos, enquanto Flávio recebeu 48,21% dos votos.

Já nos EUA, o senador publicou, na noite de quarta-feira, uma carta de teor golpista na qual chegou a se autodeclarar “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Posteriormente, fez alterações no texto e publicou pelo menos outras duas versões, nas quais passou a se autointitular “o líder do Brasil”.

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