Integrantes da base governista que protocolaram um pedido de explicações ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Edson Fachin, sobre a sua suposta relação com o delator do grupo JBS/Friboi, Ricardo Saud, vão pressionar o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG).
O objetivo é incluir o tema na pauta desta semana no Legislativo. Os aliados do presidente Michel Temer alegam que a população exige explicações sobre a suposta ajuda de Saud na campanha de 2015 para que Fachin fosse referendado no Senado como ministro da Corte e questiona se a proximidade entre os dois interferiu na concessão de benefícios aos delatores do grupo empresarial.
“Como é que você vai explicar para o povo brasileiro que deixaram esse pessoal sair pela porta da frente, dando um golpe financeiro?”, alegou um dos signatários do pedido de informação, Fausto Pinato (PP-SP). O parlamentar classifica de “delação premiadíssima” o acordo da Justiça com os irmãos Joesley e Wesley Batista (donos do grupo) e diz que “não há qualquer constrangimento” ao ministro.
Pacheco não incluiu na pauta desta terça-feira o requerimento de urgência para que o pedido de informações seja apreciado na comissão no mesmo dia. No documento, os parlamentares fazem cinco perguntas ao ministro: em que condições os pedidos de apoio aos senadores se fizeram e se deles resultou algum compromisso com parlamentares e a JBS; se na época o ministro tinha conhecimento das práticas criminosas da JBS, em especial a atuação de Saud; se o fato de estar acompanhado de Saud poderia implicar em desabono de sua conduta como ministro ou comprometer o exercício de suas funções; qual o motivo da escolha de Saud para a “delicada missão” junto aos senadores; e quando e onde Fachin conheceu Saud e quantas vezes esteve com ele no Congresso Nacional ou fora dele.
