No último final de semana, ocorreu o primeiro encontro das academias de medicina do Brasil.
Vieram a Porto Alegre destacados representantes dos principais estados brasileiros.
O tema principal foi “Ensino médico no nosso país”.
Houve unanimidade em reconhecer os duvidosos e imprevisíveis rumos que ele está tomando!
Foi bem lembrado que toda a atenção do médico é dirigida à saúde do nosso paciente!
De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico deverá ter “formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética”.
A boa formação médica é o pilar fundamental para garantir a saúde do ser humano.
Na medicina, a prática é mais importante que a formação teórica. Não é possível aprender a sondar, auscultar, suturar, puncionar, operar sem repetir isto várias vezes. Não é possível aprender medicina na frente do computador e treinar cirurgias em bonecos de borracha.
Portanto, são necessários bons hospitais, leitos, cadáveres e pacientes.
Hoje, no Brasil, temos mais de 500 faculdades de medicina.
Segundo o CFM, em 78% dos municípios que abrigam faculdades médicas faltam leitos hospitalares e 57% não possuem hospitais-escola.
Em muitos países, administrar a formação médica é tarefa do Estado (Suécia, Noruega, China, Rússia, etc.).
Não existem faculdades de medicina particulares. Hoje, no Brasil, 80% são pagas e bem pagas!
Para tentar suprir a má distribuição de médicos no país, o governo permitiu uma enxurrada de novas faculdades privadas. É um lucro fácil e bilionário!
Entretanto, a sangria de novos cursos foi alvo de duras críticas, principalmente das entidades médicas.
Reconhecendo o malefício previsível para a saúde do povo brasileiro, o governo instituiu um exame para avaliar a proficiência dos novos médicos.
Foi criado pelo MEC o ENAMED (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). Na primeira avaliação, realizada no ano passado, das 351 faculdades, 197 (30,8%) foram reprovadas.
Certamente, quando avaliarem as 500, este alarmante índice subirá para mais de 50%!
Cenário ainda mais assustador é que o país possui 19.551 vagas para residentes do primeiro ano. Como diplomaremos mais de 50.000, a grande maioria não poderá ter uma formação complementar boa!
A conclusão a que chegamos é que este programa é uma verdadeira farsa.
É um conluio governamental com os que ganham muito dinheiro!
É um engodo para as famílias que gastam muito, uma desilusão para o aluno e um grande prejuízo para a saúde do nosso povo.
Na minha opinião, as academias de medicina, os sindicatos, os conselhos regionais estão tentando curar uma doença que agora é incurável!
Por isso, nos sentimos desorientados e impotentes!
Seja o que Deus quiser!!
* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário
