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De­ter­mi­na­ção do minis­tro André Men­donça de trans­fe­rir Daniel Vor­caro para uma sala espe­cial agra­vou a insa­tis­fa­ção da Polícia Federal

Polícia Federal pediu por duas vezes que banqueiro voltasse à Papudinha, mas ministro não analisou demanda. (Foto: Carlos Moura/SCO/STF)

A de­ter­mi­na­ção do minis­tro do Supremo Tribunal Federal, André Men­donça, de trans­fe­rir Daniel Vor­caro para uma sala espe­cial na supe­rin­ten­dên­cia da PF agra­vou a insa­tis­fa­ção do órgão com o rela­tor do caso na Corte. Uma hora após a deci­são ter sido divul­gada, a cúpula da polí­cia nem sequer tinha sido noti­fi­cada.

Vorcaro cumpria a pena em uma cela comum da PF após a corporação rejeitar a proposta de acordo de delação premiada. O local é considerado de “passagem” onde ficam presos em flagrante por, no máximo, dois dias.

Há semanas, quando já crescia a chance de a PF não fechar a delação com o banqueiro, a corporação pediu ao ministro do STF que ele fosse transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha.

O minis­tro, no entanto, não res­pon­deu. A insa­tis­fa­ção da PF com Men­donça não é de hoje. Os poli­ci­ais recla­mam que ele toma deci­sões “des­ca­bi­das”, quer assu­mir o con­trole e acha que é “dono do inqu­é­rito”.

Nos últimos dias, a PF reforçou o pedido. Mesmo assim, eles não foram analisados pelo ministro, que, agora, decidiu que o banqueiro permanecerá na superintendência.

Segundo integrantes da corporação, Vorcaro não cumpre as regras padrões do local, como ter apenas duas horas para conversar com os advogados. O banqueiro costuma ficar com os defensores das 9h às 18h, segundo relatos.

A insatisfação da PF com André Mendonça, no entanto, não é de hoje. Os policiais reclamam que ele toma decisões “descabidas”, quer assumir o controle e acha que é “dono do inquérito”.

Em fevereiro, o relator do caso Master chegou a proibir que os delegados compartilhassem informações e dados com seus superiores hierárquicos, o que irritou a cúpula da corporação.

Monitoramento

O ministro já afirmou que pretende supervisionar mais de perto os inquéritos que apuram a fraude financeira bilionária do Banco Master e os descontos irregulares de aposentados e pensionistas do INSS. A menos de cinco meses das eleições, a preocupação do magistrado, relator dos dois processos, é uma eventual interferência e pressão política dentro da PF, além de vazamentos seletivos para serem usados durante a campanha. Mendonça também é vice-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os dois casos são encarados como tendo forte potencial de influenciar diretamente a disputa nas urnas, devido às eventuais conexões com autoridades e políticos de diferentes espectros políticos.

O magistrado também tem se incomodado com a divulgação de trechos da investigação da PF que ainda nem foram reportados ao seu gabinete.

O caso mais recente foi a divulgação de áudio e mensagens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em conversa com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo dinheiro para patrocinar o filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Depois da reportagem publicada pelo site Intercept, a PF abriu uma investigação para apurar se o valor foi realmente aplicado na produção. Mendonça tem cobrado dos investigadores atuação técnica. (As informações são da Folha de S. Paulo e CNN Brasil)

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