O diabetes pode não estar no seu dia a dia, mas é mais comum do que se pensa. Segundo a Organização Mundial da Saúde, pelo menos 170 milhões de pessoas têm a doença no mundo. Em 2025, esse número deverá chegar a 300 milhões. No Brasil, cerca de 10 milhões são portadoras do mal, e metade delas desconhece sua condição.
Infelizmente, essa não é a realidade apenas dos adultos. De acordo com dados da International Diabetes Federation, publicados no Atlas do Diabetes 2019, mais de 1,1 milhão de crianças e adolescentes com menos de 20 anos têm diabetes tipo 1 no mundo.
Estima-se que cerca de 98,2 mil crianças e adolescentes menores de 15 anos sejam diagnosticados com diabetes tipo 1 anualmente. No Brasil, 95,8 mil crianças e adolescentes têm essa doença, o que torna o país o terceiro com maior número de pessoas nessa faixa etária no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia.
A boa notícia é que, com tratamento adequado, educação e apoio, as crianças diabéticas podem ter uma vida saudável e se prevenir de complicações associadas à enfermidade.
Confira as principais dúvidas relacionadas ao diabetes infantil, respondidas por uma rede multidisciplinar de especialistas.
O que é o diabetes?
Diabetes mellitus ou simplesmente diabetes é uma doença crônica que ocorre quando há níveis elevados de glicose no sangue, porque o organismo não produz quantidade suficiente ou nenhuma quantidade do hormônio insulina. Secretado pelo pâncreas, ele permite que a glicose da corrente sanguínea entre nas células do corpo, onde é convertida em energia. Além disso, a insulina também é essencial para o metabolismo de proteínas e gorduras.
A falta dela ou a incapacidade das células de responder a ela resulta em níveis elevados de glicose no sangue (hiperglicemia) – que é o indicador clínico do diabetes. O déficit de insulina, quando não controlado a longo prazo, pode causar prejuízos, levando a complicações de saúde, por vezes incapacitantes e potencialmente fatais, como doenças cardiovasculares, danos nos nervos (neuropatia), nos rins (nefropatia) e doença ocular (provocando a retinopatia, perda de visão e até cegueira).
Quais são os tipos e a diferença entre eles?
São dois. O tipo 1, que acomete de 5 a 10% do total de doentes em todas as faixas etárias, e é o mais comum em crianças e adolescentes. E o tipo 2, que corresponde a cerca de 90% das pessoas com o problema. É mais observado em adultos, embora também atinja crianças mais velhas (adolescentes), e esteja aumentando devido ao sobrepeso e à obesidade na infância. Isso porque, à medida que a gordura se acumula, a sensibilidade dos tecidos aos efeitos da insulina diminui.
O que causa a doença?
O tipo 1 é provocado por uma reação autoimune, na qual o sistema imunológico ataca as células que produzem insulina no pâncreas. Como resultado, o corpo fabrica pouquíssima ou nenhuma insulina, com consequentes taxas elevadas de glicemia no sangue. As causas desse processo destrutivo não são totalmente compreendidas, mas uma explicação provável é que a combinação de suscetibilidade genética e um gatilho ambiental, como uma infecção viral, por exemplo, podem iniciar a reação autoimune. O diabetes tipo 2 é causado por hereditariedade, má alimentação e sedentarismo, levando ao excesso de peso e resistência à ação da insulina.
Existe também o diabetes neonatal, mais raro, relacionado a alterações genéticas e a algumas síndromes. Vale lembrar que, neste caso, o aleitamento materno deve ser mantido. A mãe precisa apenas adotar uma alimentação equilibrada, dando preferência à farinha integral em vez da branca e evitando o açúcar. Outro cuidado é respeitar rigorosamente os intervalos de amamentação para não causar descontrole do nível de glicemia no bebê.
