Ele ficou oficialmente afastado da política, mas não se desligou em um só momento. O senador paulista José Serra (PSDB), que pediu licença médica de quatro meses ano passado para tratamento da doença de Parkinson, diz ter acompanhado o processo de prévias tucano, a tentativa de aproximação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de quadros históricos de seu partido – considerada por ele como natural –, a novidade das federações partidárias e ainda os sinais dados pelo governo Jair Bolsonaro ao mundo.
Aos 79 anos, Serra afirma não ter se decidido ainda sobre uma eventual candidatura à reeleição ou à Câmara dos Deputados neste ano, mas listou uma série de projetos que espera poder batalhar para que se tornem leis até o fim de seu mandato. Na lista de prioridades estão propostas nas áreas social, ambiental e fiscal.
Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo, o senador disse que decidirá seu futuro juntamente com o PSDB, que, como democrata que é, deve respeitar o resultado das prévias que escolheram o governador João Doria como pré-candidato à Presidência da República.
Segundo o parlamentar, o foco principal do partido deve ser a busca por projetos e planos de governo estruturantes, para ajudar o País a se recuperar da crise econômica e sanitária e dos retrocessos nas áreas social e ambiental. Apesar disso, não descarta uma união com demais partidos em torno de um nome com chances de acabar com o que chamou de “polarização entre extremos”. Confira a seguir alguns trechos da entrevista.
– O senhor diz ter reassumido o mandato para aprovar projetos de sua autoria. Quais os temas que lhe são prioritários? “Vou priorizar três áreas: social, meio ambiente e fiscal. Não consigo enxergar desenvolvimento e progresso no Brasil sem uma atuação articulada das lideranças políticas em torno desses três temas, inclusive com coordenação efetiva entre União e governos estaduais e municipais. Não há como ignorar o meio ambiente e o Brasil tem potencial para liderar essa agenda internacional. E o que dizer da área fiscal depois da desconstrução institucional promovida pelo atual governo? Transformaram a Constituição em uma lei ordinária no formato de colcha de retalhos, sem harmonização e coerência. Vou focar nessas questões, com apresentação de novas proposições, sem deixar de atuar para que projetos estruturantes nas áreas política, social e energética, já apresentados por mim ao longo do mandato, sejam finalmente aprovados nas duas Casas Legislativas. Refiro-me a projetos sobre o voto distrital, parlamentarismo, novo marco regulatório do pré-sal, spending reviews, avaliação de benefícios creditórios, reaproveitamento de licenciamento ambiental, securitização da dívida dos estados e regulação das Organizações Sociais, apenas para citar alguns.”
– O afastamento ajudou em seu tratamento? Como está sua saúde? “Sinto-me bem, mas em função do aumento nos casos de covid-19, estou trabalhando em São Paulo e votando pelo sistema remoto do Senado.”
– O senhor acompanhou o processo de prévias do PSDB? Como avalia a vitória de Doria e suas chances como candidato? “Como democratas, optamos por um processo de votação interna com candidatos qualificados. Agora, há que se respeitar o resultado das nossas urnas. O foco principal do partido deve ser a busca por projetos e planos de governo estruturantes, para ajudar o país a se recuperar da crise econômica e sanitária e dos retrocessos nas áreas social e ambiental.”
– O senhor defende e acredita que a chamada terceira via possa se unir em torno de uma candidatura única? O PSDB deve abrir mão se não se mostrar competitivo? “É fundamental que os partidos se unam em torno de um nome com chances de acabar com essa polarização entre extremos, cada vez mais acentuada desde o pleito de 2018.”
– Como o senhor vê esse movimento do ex-presidente Lula de buscar diálogo com tucanos históricos. O senhor compartilha do pensamento de que é preciso unir todas as forças políticas contra a reeleição de Bolsonaro? “Acho natural e importante o diálogo político. É da democracia, inclusive entre atores que não compartilham suas bandeiras e ideologias.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
