Diante da falta de apoio do Congresso a uma de suas principais promessas de campanha, o presidente Donald Trump teve de recuar na ideia de construir no curto prazo um muro na fronteira com o México financiado pelos cofres americanos. O entendimento sobre essa medida de gastos travava as negociações do orçamento para o próximo ano, cujo prazo se encerra na sexta-feira, e poderia levar ao “fechamento” do governo.
Ao aceitar a proposta de um adiamento da construção da obra, Trump tirou um dos maiores obstáculos para passar o projeto de orçamento antes de expirar o prazo de financiamento para a maioria das operações do governo.
Antevendo críticas ao recuo, o presidente insistiu que continua comprometido com o plano. “Não deixe a mídia mentirosa dizer a você que eu mudei minha posição sobre o muro”, ele escreveu em sua conta no Twitter nessa terça-feira. “Ele será construído para ajudar a bloquear drogas, tráfico humano, etc.”
Trump afirmou a um grupo de jornalistas na Casa Branca, na noite de segunda-feira, que ele poderia aceitar um projeto de orçamento que incluísse financiamento para a segurança na fronteira sem necessariamente “abandonar” o que era seu objetivo inicial de construir o muro. A atual legislação de gastos mantém o governo operando até o fim do ano fiscal que se encerra no dia 30 de setembro.
Democratas elogiaram a decisão de Trump de não travar o orçamento esta semana. A promessa de construir um muro, ou estender uma série de barreiras que já existem em partes da fronteira, foi um tema central na campanha de Trump no ano passado. Ele não apenas alegava que estaria protegendo os EUA de um “certo tipo” de imigrantes vindos do outro lado da fronteira ilegalmente como faria o México pagar pela barreira. Mas os custos orçados para o muro ultrapassaram o estimado por ele e o México tornou pública sua intenção de não arcar com o gasto.
