O óleo diesel teve inflação de 13,9% em março no Brasil, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É a maior alta do combustível no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em mais de duas décadas, desde novembro de 2002 (14,63%).
O aumento registrado no mês passado ocorreu sob influência da disparada das cotações do petróleo devido à guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro.
O diesel não pesa tanto no cálculo do IPCA como a gasolina, mas sua carestia gera temor de repasses para outros preços, incluindo os de alimentos. O combustível é um dos insumos de diferentes cadeias produtivas.
“Como a nossa produção é escoada em grande parte por rodovias e utiliza óleo diesel, isso acaba trazendo impacto para os preços dos alimentos. O frete fica mais caro”, afirmou o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves.
No IPCA, o diesel integra o grupo dos transportes, que mostrou inflação de 1,64% em março. Outra pressão veio de alimentação e bebidas, com alta de 1,56%.
Os dois grupos responderam por 76% do IPCA de março, que subiu 0,88% em termos gerais, bem acima da mediana das previsões de economistas.
“O dado de março reforça que temos sido surpreendidos pela inflação no curto prazo. Parte desse movimento já reflete efeitos do cenário externo, mais evidentes em combustíveis e começando a aparecer, ainda que de forma incipiente, em alimentos (via aumento do frete, efeito secundário da alta do diesel)”, diz em relatório o economista Leonardo Costa, do Asa, que atua no setor financeiro.
