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Dificuldade de Lula e Bolsonaro em se desapegarem do poder afeta a renovação política no País

A pesquisa mostra que a disseminação dessas teorias ocorre em meio a uma mudança na autoidentificação ideológica dos brasileiros desde 2018.(Foto: Rovena Rosa/Tomaz Silva/ABr)

Líderes políticos costumam ter uma visão distorcida de si mesmos, o que dificulta o surgimento de novas lideranças. Esse é o problema que o Brasil enfrenta hoje, avalia o diretor-geral da Fundação Fernando Henrique Cardoso, Sergio Fausto. O cientista político ressalta que a dificuldade do presidente Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em se desapegarem do poder representa um obstáculo à renovação política no País.

“Qual é a discussão que um líder político mais detesta? É a discussão sobre a sua sucessão. Líderes políticos têm uma distorção do ego. A ideia de que serão substituídos é um enorme problema”, diz Fausto. “Para a grande maioria dos líderes políticos, a política é tudo. Sair da política é uma morte existencial. O sujeito resiste. É preciso mexer nas regras de permanência no poder, de tal maneira que se force uma rotação maior”.

Para o diretor-geral da Fundação FHC, apenas a partir das eleições gerais de 2030 – quando tanto Lula quanto Bolsonaro provavelmente não disputarão a Presidência – o Brasil começará a vislumbrar novas lideranças nacionais. Isso, no entanto, não significa que ambos deixarão de exercer influência sobre o processo eleitoral. “Os personagens desaparecem, mas a divisão política que se cristalizou na sociedade pode perdurar”, afirma.

Essa nova liderança precisará ter habilidade de comunicação, especialmente nas redes sociais, o que, na visão de Fausto, exige autenticidade. Para ele, o eleitor quer se identificar com o candidato. Também é fundamental saber dialogar com públicos diversos. “Não dá para falar só com uma bolha. O candidato precisa ter uma âncora firme num campo, mas saber transitar por outras áreas do eleitorado”.

“O candidato a novo líder precisa ter uma âncora firme num campo, mas transitar por outras áreas do eleitorado. Terá de dominar a linguagem das redes. Não voltaremos ao tempo dos discursos longos e elaborados”, diz o cientista político.

“A sociedade ficou menos hierarquizada. Aquele sentimento de deferência ao doutor, ao jurista, ao político, praticamente desapareceu. É essencial que o eleitor tenha identidade com o novo líder. Lula e Bolsonaro têm isso. Entre os mais jovens, o João Campos tem isso.”

Fernando Henrique desapegou do poder após deixar a Presidência, ressaltou Sergio Fausto. “Ele terminou o segundo mandato decidido que não voltaria à política. Era um intelectual que construiu seu prestígio fora da política. Então, ele pôde retornar a esse lugar original, agora engrandecido pela passagem pelo poder.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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