A presidenta Dilma Rousseff convocou um gabinete de crise e escalou ministros e assessores do governo para monitorar a greve de caminhoneiros, marcada para segunda-feira em todo o País. Dilma estava preocupada com uma possível crise de abastecimento decorrente da paralisação, mas foi alertada por auxiliares que a adesão deve ser baixa, segundo monitoramento de redes sociais feito pelo Palácio do Planalto e lideranças do setor que dizem ser “de grupos independentes” a iniciativa da greve.
Segundo o relatório entregue à presidenta, a greve dos caminhoneiros aparece como um dos três temas relacionados ao governo mais citados na internet, ao lado de “aposentadoria” e “Operação Zelotes”, que investiga um esquema de pagamento de propina a integrantes do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), vinculado ao Ministério da Fazenda. No entanto, ponderam os assessores da presidenta, apesar das citações, a adesão ainda era baixa na sexta-feira.
Mesmo assim, desde o início da semana, Dilma destacou os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo), além do secretário especial do Trabalho, José Lopez Feijóo, para conversar com representantes do setor. Cardozo, a quem é subordinada a Polícia Rodoviária Federal, também cuidará do movimento nas estradas, enquanto Edinho Silva (Comunicação Social) acompanha a adesão à greve nas redes.
Petrobras chama petroleiros para negociar fim da greve
A Petrobras convocou os petroleiros grevistas para uma reunião na segunda-feira. A companhia não confirma a pauta, mas a FUP (Federação Única dos Petroleiros), espera que seja discutida sua Pauta pelo Brasil, que pede a retomada de investimentos e a suspensão da venda de ativos.
Os petroleiros estão em greve desde a o dia 29 de outubro, quando os cinco sindicatos filiados à FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) iniciaram a paralisação. No domingo, 13 sindicatos associados à FUP aderiram à greve. Entre eles, está o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte-Fluminense), que atua na Bacia de Campos – maior produtora de petróleo do País.
A FUP diz que se recusa a discutir o reajuste salarial de 2015 enquanto a estatal não se manifestar a respeito da Pauta pelo Brasil. Já a FNP pede 18% de reajuste. A Petrobras oferece 8,11%.
A Petrobras calcula que, a paralisação de plataformas representou uma perda de 718 mil barris de petróleo.
O supervisor de mecânica Pedro Alexandre Bagatin, 40 anos, que trabalhava na Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, sofreu um infarto na quinta-feira e morreu na sexta-feira. Segundo a FUP, Bagatin integrava a equipe de contingência convocada pela Petrobras para manter as operações da refinaria durante a greve dos petroleiros. A estatal confirmou a morte, mas disse que o supervisor não fazia parte da equipe de contingência.
