A presidenta Dilma Rousseff negou que o presidente do BC (Banco Central), Alexandre Tombini, sofra pressões do Palácio do Planalto para adequar a taxa Selic aos desejos do Palácio do Planalto. Admitiu, porém, ter se encontrado com Tombini na segunda-feira, dois dias antes da reunião do Copom (Conselho de Política Monetária) que decidiu manter os juros em 14,25% ao ano.
“Eu acho fantástico: o Copom eleva a taxa sistematicamente e ninguém jamais perguntou para mim, durante todo esse período de aumento, se eu havia pressionado o Tombini para aumentar os juros”, ironizou. “Aí a culpa é minha também, né? Eu sou presa por ter cachorro e também por não ter.”
O encontro chegou a ser negado por membros do governo, mas Dilma confirmou que esteve com o chefe do BC e com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, justificando que o objetivo foi apenas o de alinhavar o posicionamento do Brasil durante o Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça). Representantes do sistema financeiro, no entanto, interpretaram a reunião como um evidente sinal de interferência no Copom.
Questionada se haveria chances de Tombini deixar o BC em razão dos arranhões recentes à sua credibilidade, Dilma sinalizou que a hipótese está fora de cogitação. “A troco de quê?”, indagou. A presidenta frisou, ainda, que a Petrobras não vai quebrar e que é um “escândalo” apostar nessa hipótese. (AE)
