Uma dúvida vem atormentando a presidenta Dilma Rousseff e assessores mais íntimos nos últimos dez dias: defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicamente é consagrar algo como um abraço de afogados ou pode representar um renascer político das cinzas? Formulada por um dos homens mais próximos, seu escudeiro há mais de uma década, a questão divide corações e mentes da equipe da chefe do Executivo.
Os auxiliares com mais afinidade com Dilma do que com a corrente majoritária do PT apostam na primeira alternativa. Acham que a presidenta não pode se contaminar mais com possíveis erros do antecessor e que seu governo já tem problemas demais e popularidade de menos para se arriscar protegendo Lula.
Capitão do outro time, o da ideia de que Dilma pode renascer junto com Lula e que o afastamento seria mais fatal para ela do que para ele, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, obteve duas vitórias nos últimos dias. Emplacou o novo ministro da Justiça – o baiano Wellington Cesar – e conseguiu convencer Dilma a viajar para visitar Lula em São Bernardo do Campo (SP). Até então, ela havia falado apenas pelo telefone com o ex-presidente.
Por outro lado, nomes como o do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendem o afastamento. As ponderações não são apenas estratégicas. A presidenta tem vivido dias infernais no Palácio. Foi pega de surpresa em 23 de fevereiro com a prisão de seu marqueteiro, João Santana. Dias antes, o próprio Santana garantiu à Dilma que não seria preso e que ninguém acharia nada de errado em suas contas bancárias nem nas de sua esposa, Mônica Teixeira. Os dois estão na cadeia até hoje.
Dilma vive grande dilema entre se afastar ou voltar a colar em Lula

A presidenta tem vivido dias infernais no Palácio do Planalto. (Foto: Jussi Nukari/AFP Photo)