Preso na nova fase da Operação Lava-Jato, o ex-ministro José Dirceu chegou, por volta das 17h30min de terça-feira, à sede da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR), sede das investigações, sob gritos e foguetes.
Cerca de 50 pessoas, abraçadas a bandeiras do Brasil e com buzinas, apitos e faixas elogiando a Justiça e a PF, aguardavam o ex-ministro. Gritavam “ladrão” e “vagabundo”. Uma delas soltou fogos quando Dirceu chegou ao local, escoltado por policiais e dentro de uma viatura. “José Dirceu ladrão, o seu lugar é na prisão”, gritou outro. “Polícia Federal, orgulho nacional”, afirmava outro parte do grupo.
Dirceu aterrissou na cidade em um avião da PF, vindo de Brasília, pouco depois das 16h40min. O voo durou cerca de 2 horas e 20 minutos. O ex-ministro demonstrou tranquilidade no caminho da sede da PF e conversou pouco, segundo o delegado Igor Romário de Paula.
O petista entrou pelo portão de trás do prédio, sem aparecer para o batalhão de jornalistas que o aguardava. Segundo o delegado, a utilização de uma entrada secundária foi decidida de última hora, devido à aglomeração de manifestantes na entrada principal.
Entre os manifestantes, havia integrantes de movimentos organizados, como o Acorda Brasil, o Movimento Brasil Livre e o Direita Curitiba. Outros diziam ter ido sozinhos. Até mesmo os servidores da PF saíram do prédio ou se posicionaram nas janelas para acompanhar a chegada do ex-ministro.
Dirceu cumpria prisão domiciliar desde novembro de 2014 em Brasília pela condenação no escândalo do mensalão. Sua transferência a Curitiba foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Ele irá permanecer detido na carceragem da PF, no bairro Santa Cândida, a oito quilômetros do centro da cidade. No local, já estão outros 14 presos da Lava-Jato, além dos outros sete detidos na última fase da operação, deflagrada na segunda-feira. Dirceu divide cela com dois presos por contrabando. Ele está sem contato com o irmão, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, e com o assessor Roberto Marques, além dos demais presos. (Folhapress)
