O diretor de teatro Roberto Alvim postou em uma rede social um texto em que relaciona seu apoio a Jair Bolsonaro ao cancelamento, pelo Sesc, da estreia de “Aurora”, peça que dirigia e que entraria em cartaz em julho na unidade da Vila Mariana. As informações são da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.
Agradecimento
“Agradeço à instituição por mostrar com toda clareza o modo como opera e o que pensa acerca de liberdade de pensamento, arte e democracia”, escreveu Alvim.
Discurso
O diretor disse à coluna que, há dois meses, um funcionário do Sesc escreveu um texto na rede “me defenestrando e dizendo que espalho discurso de ódio”. Tudo “graças ao meu apoio ao Bolsonaro e ao [escritor] Olavo de Carvalho”.
Seco
O diretor afirma que telefonou seguidas vezes para o funcionário, do setor que faz a programação de teatro do Sesc, em vão. Na semana passada, ele recebeu um e-mail “seco, dizendo que a peça estava sendo cancelada”. Nenhuma nova data de estreia foi marcada.
“2 meses atrás, um alto funcionário do Sesc escreveu um texto aqui no facebook, no qual discorreu sobre sua decepção com a minha pessoa (por conta do meu apoio ao governo Bolsonaro e minha admiração declarada pelo filósofo Olavo de Carvalho). entre outras coisas, dizia que depois de criar espetáculos que estão entre os melhores que ele viu, eu tinha me tornado um propagador de discursos de ódio contra gays, mulheres, classe teatral e minorias… artistas e outros membros do Sesc aplaudiram suas mentiras nos comentários, propondo minha defenestração completa (tenho tudo printado). liguei pra esse funcionário VÁRIAS vezes, mas ele não atendeu. então lhe escrevi pelo whatsapp; disse que ele estava MENTINDO e me despedi, rompendo relações pessoais”, escreveu o diretor no Facebook.
Prova
“Eu posso afirmar que se trata de uma censura por questão política? Não posso, não tenho prova”, diz, para em seguida emendar: “O Danilo Miranda [diretor do Sesc] posicionou o Sesc contra o governo Bolsonaro. Talvez não seja conveniente ter alguém como eu lá dentro”.
Nada a ver
O superintendente de comunicação do Sesc, Ivan Giannini, afirma que “em nenhum momento” a peça foi cancelada. “O comunicado enviado a Alvim foi no sentido de modificar eventualmente uma agenda”. Haveria possibilidade de nova data para a estreia.
Em cartaz
“Foi cancelado no período que estava proposto, mas não de forma definitiva”, segue Giannini. Ele lembra que uma outra peça de Roberto Alvim ficou em cartaz no Sesc entre março e abril. “Não há nada contra ele ou contra qualquer posicionamento político-partidário dele”, diz.
