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Discurso antissistema, fundo eleitoral e redes sociais: veja pontos que explicam o avanço do partido de Bolsonaro nas eleições

Especialistas avaliam que o partido apostou em propostas relativas a demandas da população para além de pautas conservadoras. (Foto: Reprodução)

O PL se consolidou nas eleições de 2026 como a maior força do Congresso, com 121 deputados na Câmara, ante 98 atualmente, e 28 senadores. A legenda também elegeu cinco governadores no primeiro turno: Sérgio Moro, no Paraná; Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul; Marcos Rogério, em Rondônia; Arthur Henrique, em Roraima; e Jorginho Mello, em Santa Catarina.

A sigla do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), combinou o fortalecimento do bolsonarismo, recursos do fundo eleitoral, presença nas redes sociais e apoio de setores conservadores, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão.

* Bolsonarismo institucionalizado

O PL passou a representar institucionalmente o bolsonarismo após Jair Bolsonaro ingressar na legenda, em 2021. Nas eleições de 2022, tornou-se a maior bancada da Câmara, com 99 deputados. Para o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Lucio Rennó, o partido incorporou à sua agenda pautas conservadoras associadas à família Bolsonaro.

Entre as bandeiras divulgadas pela legenda estão família, liberdade de expressão, propriedade privada, agro e combate às drogas. Em 2026, Nikolas Ferreira (MG) também demonstrou força eleitoral ao eleger seu aliado Lucas Pavanato para a Câmara por São Paulo.

* Discurso antissistema

Especialistas atribuem parte do crescimento do PL ao discurso de ruptura com o sistema político. Arilton Freres, da Indexa Pesquisa, afirma que o desgaste com instituições e dificuldades em áreas como saúde, segurança, emprego e poder de compra favoreceram discursos mais radicais.

A cientista política Priscila Lapa também relaciona o avanço à insatisfação econômica e ao antipetismo, além da percepção de que instituições não respondem às demandas da população.

* Antipetismo e STF

O bolsonarismo, o desgaste do governo Lula e as divergências envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) também são apontados como fatores eleitorais. Rennó afirma que a crítica ao Supremo esteve presente na plataforma do PL e teve importância especialmente na disputa pelo Senado.

* Recursos eleitorais

O desempenho de 2022 ampliou a participação do PL no fundo eleitoral de 2026. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a legenda recebeu R$ 881 milhões, maior volume entre os partidos. Para a estrategista Natália Mendonça, os recursos ajudaram as campanhas a ampliar o alcance por meio de publicidade digital diante das restrições ao alcance orgânico nas redes.

* Nova geração e redes sociais

Especialistas também destacam o investimento em candidatos mais jovens e na comunicação digital. Vídeos curtos, humor, ironia e linguagem direta são utilizados para abordar temas como violência, emprego e custo de vida.

A professora da ESPM Fernanda Polidoro afirma que a estratégia simplifica o discurso e explora emoções para gerar engajamento. Nikolas Ferreira é citado como exemplo dessa atuação.

* Eleitorado evangélico

O PL também ampliou sua presença entre eleitores evangélicos. Pesquisa Datafolha divulgada em 2 de setembro apontou Flávio Bolsonaro com 52% das intenções de voto nesse segmento, ante 26% de Lula. O grupo representa 26,9% da população brasileira com 10 anos ou mais, segundo o IBGE.

Especialistas afirmam que igrejas e redes sociais se tornaram importantes espaços de mobilização política. Lideranças como Silas Malafaia, Robson Rodovalho e Estevam Hernandes apoiaram Flávio durante a campanha.

* Agro e insatisfação econômica

Outro segmento associado ao crescimento do PL é o agronegócio, que se aproxima de pautas defendidas pelo partido, como liberdade econômica e redução da carga tributária. Segundo a Quaest, o setor representa 13% do eleitorado nacional.

Especialistas também apontam diferenças na comunicação eleitoral. Enquanto o PT teria enfatizado realizações de governos anteriores, o PL concentrou sua mensagem em problemas atuais, como o custo de vida.

Para Rennó, medidas anunciadas por Lula às vésperas da eleição, como reajuste do Bolsa Família, restrições às bets e um novo Desenrola, não foram suficientes para alterar a percepção de insatisfação de parte do eleitorado. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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